Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

quinta-feira, junho 14, 2007














Fotos de Ana Paula Pessoa


Veja mais fotos da artista plástica Ana Paula Pessoa no site INTERZONA
http://www.interzona.spatum.net/

quarta-feira, junho 13, 2007

DESESPERO É LINDO
Fotografia digital: NMF


tormentas de verão desoladas se aproximam
já sei que é mais uma temporada de vazio,
desespero é lindo:
a perene feitiçaria de retornar perdido
às jornadas ocas - devastações- da carne.

Nelson Magalhães Filho





terça-feira, junho 12, 2007

Nelson Magalhães Filho. MULHERES, 2005, mista s/ papel, 70X50 cm

Plantarei rosas selvagens
em teu rosto todas as noites
para te induzir ao beijo
arcaico do veneno
nu de minha boca amora.
Em tua solidão esparsa,
deitarei meus olhos
para te consagrar.

Nelson Magalhães Filho
Nelson Magalhães Filho. Série de 1995, mista s/ tela, 185X145 cm

segunda-feira, junho 11, 2007

VOLIÇÕES
Amigos,
convido todos para prestigiarem o LANÇAMENTO do livro de contos
VOLIÇÕES, da escritora Yara Camillo. O livro foi publicado este ano
pela lendária MASSAO OHNO EDIÇÕES e possui ilustrações de Wilson Foca Neves.
AUTÓGRAFOS, COQUETEL e AFINS ocorrerão na sexta-feira (dia 15/06) no
finalzinho da tarde (18:00) na LIVRARIA LDM, com a presença dos dois (autora e ilustrador).
Conto com a presença de todos vocês para a festa.
Abraços
Sandro Ornellas
Nelson Magalhães Filho. Série 2004-2006, mista s/ papel, 60X42 cm

MULTIDIMENSÕES I EXPO-FEIRA DA ESCOLA DE BELAS ARTES
de 11 a 15 de junho

quarta-feira, junho 06, 2007

A MORTE DIANTE DA LUA

Nelson Magalhães Filho. Série A morte diante da lua, 1998, mista s/tela, 100X100 cm

terça-feira, junho 05, 2007

VANDER LEE EM CRUZ DAS ALMAS


Nesta sexta-feira - 8/6/2007 -
Teatro Laranjeiras às 21:h
Cruz das Almas - BA
A MORTE DIANTE DA LUA

Nelson Magalhães Filho. Série A Morte diante da Lua, 1998, mista s/ tela, 100X100 cm



segunda-feira, junho 04, 2007

gabriel ferreira


( "A CARTOMANTE". Ilustração para o conto de Machado de Assis. Acrílico sobre tela. 2006)
Gabriel Fereira - Desenho de Poesia Blog: http://sougabrielferreira.blogspot.com
Fone: 75 9191-9772

CAFÉ LITERÁRIO NO CUCA
Café Literário
Comemoração do 1º ano da ARTFS

A Associação dos Artistas de Teatro de Feira de Santana tem o prazer de covidá-lo(a) para participar do Café Literário onde estarão reunidas: leitura dramática e artes plásticas.

LEITURA DRAMÁTICA:A SERPENTE, de Nelson Rodrigues
elenco:Celly Rodrigues
Marcus Moraes
Adriano Lima
Núbia Lafaette
Edilma dos Anjos
coordenação: Roberval Barreto

ARTES PLÁSTICAS:
Marcus Moraes (coordenação)
Rosalice
Vânia Garcia
Luiz Gomes
Gabriel Ferreira

DIA 05 DE JUNHO DE 2007 às 19h no TEATRO DO CUCA, Feira de Santana-BA.

ACESSE
http://www.gabrielferreira.com.br/
APOIO CULTURAL: VIA X internet /WS FOTOGRAFIA DIGITAL



EFRAIM ALMEIDA

A exposição de EFRAIN ALMEIDA conta com cerca de 15 obras realizadas entre 1995 e 2005, selecionadas em função da referência que fazem – às vezes clara, outras vezes apenas sugerida – à imagem das chagas. A seleção se constitui de pequenas aquarelas e esculturas em madeira, quase sempre de corpos despidos ou de seus fragmentos. Embora representem um percurso temporal ao longo de sua produção, as obras não pretendem constituir uma antologia nem se ater a uma cronologia, mas destacam uma questão que as sintetiza. Assemelhados, por vezes, aos ex-votos encontráveis nas igrejas católicas, os trabalhos de Efrain Almeida não representam, contudo, a dor da carne. Elas parecem entregar sempre algo de si em oferenda, assumindo um tom sedutor e confessional que confunde erotismo e religiosidade e que evoca – aproximando heresia e contrição – a relação conflituosa entre a disponibilidade sobre o próprio corpo e as interdições morais a que é submetido.

Curadoria de Moacir dos Anjos.
Abertura dia 02 de junho, sábado, das 11 às 14h.

Em cartaz até 12 de agosto de 2007.
Estação Pinacoteca
Largo General Osório, 66 – fone 11 3337 0185
Aberta de terça a domingo, das 10 às 18h.R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia). Grátis aos sábados


PAULO NENFLÍDIO A Gentil Carioca - até 14 de julho


CAETANO DE ALMEIDA
Galeria Anna Maria Niemeyer - até 30 de julho

http://www.cubobranco.com.br

parabéns, ronaldo braga





























hoje é aniversário do meu amigo ator, diretor teatral e escritor ronaldo braga

VOLTA ÀS AULAS
Todos amontoavam na porta para verificar suas salas, garotas e garotos barulhentos, sorridentes, solícitos e atentos. Eram sete horas de uma manhã cinzenta; fazia muito frio, mas quem se importava. Eu, taciturno, esperava o fim da aglomeração para conferir a minha turma e observava calmamente na esperança de rever RC, pois estavam todos se revendo, se cumprimentando e colocando em dia todos os acontecimentos reais e imaginários. Os ricos contavam suas férias em locais distantes e realçavam as maravilhas que passaram, falavam de garotas belas e mostravam como troféu de viagem os novos catecismos que adquiriram na capital, que logo os fizeram mais populares ainda entre os garotos. As garotas com seus risinhos histéricos falavam de garotos, de roupas e da novidade daquela idade: namorar. Eu, em um canto, não falava com ninguém. Esperei a algazarra terminar e confirmei, estava na turma g, e RC também. Estava nas nuvens! Verifiquei o meu número, coloquei um caderno velho que eu tinha em cima da minha carteira e fui em busca da minha turma. Nós éramos o lixo, a escória do Colégio Estadual Alberto Torres e agora estávamos todos separados. A minha turma especial que foi separada pela direção do colégio, se reunia antes e depois da aula e era heterogênea: tinha pobre, classe média e um rico, sendo que eu, Jorge e Onça éramos os pobres. Inha, Val e Jalé eram classe média e João era o rico. Éramos amigos, batíamos babas juntos, esculhambávamos, bebíamos vinho, fumávamos cigarros sem filtro e depois cada um ia para sua casa. João morava em uma casa grande e com um campo de futebol ao lado, e sempre nos fins de semana era lá que o nosso baba era jogado. Naquela manhã de março, os encontrei eufóricos com o novo catecismo do João e foi uma festa; eu era o poeta da turma, e João tinha um catecismo que além de novo era diferente, e não era somente mulher nua, havia sexo de verdade, que foi logo passado para mim.- Veja que mulher!- Eu quero emprestado! - De jeito nenhum, só daqui a uma semana - todos falavam e olhavam para aquelas belas mulheres transando... aquele tinha a transa... era demais! - Olha a cara de R. Vai babar R, não pode comer o catecismo! - foi tanta agonia que João, o mais forte e mais alto e dono do catecismo, tomou de um pulo e disse:- Chega! Hoje estou indo prá casa mais cedo, vou viajar com meu pai pra Itabuna e volto à noite. Amanhã vocês poderão dar mais uma olhada. O João foi embora e nós fomos direto pro banheiro. Um tempo depois, cada um foi pra sua sala e aí a minha alegria aumentou, porque eu esperava encontrar RC, a sua carteira era logo a frente da minha. No banheiro, foi ela que eu imaginei e quando olhei o catecismo era o seu rosto que eu via. RC era uma garota de 13 anos, magra, loura e bem queimada de sol, ela sempre viajava para Salvador ou ia pra ilha, ela era rica e seu irmão João era meu amigo, ele sabia que eu era apaixonado por ela e sempre me dizia: - R, RC lhe acha um tremendo babaca, acha a sua poesia horrível, e ela tem um namorado que é de Conceição de Almeida. - João, eu ainda vou me casar com sua irmã. Você não perde por esperar. E então João dava uma risada e me abraçava e me passava um garrafão barato de vinho. O ano de 1972 começava bem, a única pessoa da minha antiga turma a ficar junto comigo era a minha garota, eu sabia que ela não concordava com isso, mas logo, logo ela me aceitaria. Abri o meu caderno de poesia e arrisquei:
“ Um gosto de RC invade a minha boca,
e o seu beijo é beijo da noite
e o seu corpo é convite
e o seu olhar me implora estrelas,
e suas mãos são frutos macios.”
Nada mais saía, e eu dei por encerrada a poesia e me achei um gênio e amado. Aos 13 anos aquela era a terceira garota que eu me apaixonava, mais RC parecia ser a definitiva. Fui prá casa, meu primeiro dia de aula fora excelente mesmo sem ter visto RC. Uma amiga dela me informara que ela só chegaria três dias mais tarde, estava em Salvador, eu estava nas nuvens. Passei em um bar e sozinho tomei meio litro de um vinho barato, e de volta à rua eu não ouvia as pessoas e andava dançando e cantando e ao chegar em casa tomei um sopapo de minha mãe que berrou: - Tá maluco!? Bebeu de novo?! Quando seu pai chegar ele te acerta. Meu Deus, você quer me matar!Aquilo agora era menor, eu tomaria duas dúzias de bolo do meu pai, mas RC era da minha turma. Comi feijão e arroz com farinha e carne como um sonhador, e feliz saí para os babas e roubos de jaca e outras frutas com os amigos da minha querida Baixinha da Vitória, a vida continuava sorrindo para mim.
ronaldo braga

sexta-feira, junho 01, 2007

EU TENTEI TE MATAR QUEDA: Eu tentei te matar.
ABISMO: Tentou?
QUEDA: Tentei.
ABISMO: Ontem?
QUEDA: Não.
ABISMO: Anteontem?
QUEDA: Não.
ABISMO: Antes de antes de ontem?
QUEDA: Não.
ABISMO: Antes de antes de antes de ontem?
QUEDA: Não.
ABISMO: Antes de antes de antes de antes de ontem?
QUEDA: Não.
ABISMO: Antes de antes de antes de antes de antes de ontem?
QUEDA: Não.
ABISMO: Antes de antes de antes de antes de antes de antes de ontem?
QUEDA: Não.
ABISMO: Antes de antes de antes de antes de antes de antes de antes de ontem?
QUEDA: Não.ABISMO: Antes de antes de antes de antes de antes de antes de antes de antes de ontem?
QUEDA: Não.
ABISMO: Antes de antes de antes...
QUEDA: Chega!!! Estou cansada disso! Você não tem outra forma de perguntar?
ABISMO: Gostei do estilo.QUEDA: Eu detestei!ABISMO: Sério? Achei tão poético.
QUEDA: Posso continuar?
ABISMO: Claro. Mas o que você estava dizendo mesmo?
QUEDA: Que eu tentei te matar!!!

*trecho da peça Diálogo Inútil do Abismo com a Queda, em cartaz às quintas e sextas, às 21h, no Porão do Centro Cultural São Paulo, como parte da III Mostra Cia de Orquestração Cênica. Rua Vergueiro 1000.
Postado do blog de Cesar Ribeiro

Boomerangue ( Rua da Paciência, 88, Rio Vermelho ) Sábado 02/06

Marcelo Nova e Koyotes / Sangria
Para iniciar o evento foi escalada a voracidade e acidez da banda baiana Sangria
A noitada se completa com o Dj LEÃO,desfilando vários hits do rock´n roll e Hard Rock setentista até raiar o dia.
Horário 22:00hs
A MORTE DIANTE DA LUA
Nelson Magalhães Filho. Série A MORTE DIANTE DA LUA, 1998, mista s/tela, 100X100 cm

quinta-feira, maio 31, 2007


Parabéns, Lita Passos aniversário hoje



DAMA LUA

para NMF

Atrás dos gestos sutis
de dama lua
sete mil luas damas
cravadas
nos orifícios dos dentes
de lúcifer
por dentro do sorriso
prateado
centauros de fogo
soprando alho das ventas
pingam serpentes
de cada poro
da sua doçura
dos olhos escarlates
draculamente profundos
montanhas de besouros
agonizando o mundo
nos brilhantes cabelos
todas as galáxias do inferno.

Lita Passos

terça-feira, maio 29, 2007

Nelson Magalhães Filho. ALMOÇO NU, 1999, mista s/ tela, 140X115 cm
Lugar Comum 14: Madrugada

teus desejos longe dos meus
gelo e vodka mexidos por entre os dedos
calçadas curvas

queimam mendigos,
acontecimentos estranhos nessa cidade,
Jokerman, Jokerman,
Você continua a rir alto demais.

Ana Rüsche, do livro Rasgada

segunda-feira, maio 28, 2007

PAIM (pinturas recentes)
ELIAS SANTOS (desenhos)

DE 02 A 16 DE JUNHO DE 2007 NA GALERIA ACBEU
ABERTURA: 1 DE JUNHO ÀS 19H
VISITAÇÃO: SEGUNDA A SEXTA DAS 14 ÀS 20H
SÁBADOS DAS 16 ÀS 20H

Galeria ACBEU
Av. Sete de Setembro, 1883 - Corredor da Vitória
Cep: 40.080-002 / Salvador / Bahia / Brasil
T: [71] 3336 4411 Fax: [71] 3337 9233
http://www.acbeubahia.org.br/

sexta-feira, maio 25, 2007

Nelson Magalhães Filho. Série 2004-2006, mista s/ papel, 70X50 cm


pernicioso aquilo me fez perceber
cruzes pintadas de cal o sangue no chão
carcomido pelo teu segredo atormentado
de tanto comer centopéias de tanto arroubo por avelãs.

Nelson Magalhães Filho

quarta-feira, maio 23, 2007

Nelson Magalhães Filho. Série BESTUNTO VADIO, 2007, mistas/papel, 20X20 cm


ainda assim atingiremos
de mãos permitidas ao afável
a aurora estúpida
do mundo corrompido.
ouviremos a grasnada das aves tristes
quando ainda teus olhos de violetas
deitam algumas lágrimas

sobre os lacraus
que me beijam na boca.

Nelson Magalhães Filho


terça-feira, maio 22, 2007

MEMÓRIA DA ÁFRICA ADRIANA ARAÚJO E SARAH HALLELUJAH
abertura: 25 de março, das 18h às 21h
exposição: 25 de maio a 22 de junho
de segunda a sexta, das 13 às 18h e aos sábados das 13 às 17h
GALERIA SOLAR FERRÃO
rua Gregório de Mattos, 45, Pelourinho
Salvador, BA
(71) 31176380



RESERVA TÉCNICA O Museu de Arte Sacra da Universidade Federal da Bahia e a Caixa Econômica Federal convidam para a inauguração da Reserva Técnica Professor Edgard Santos.
Data:
25 de maio de 2007.
Programação:
18:30h Apresentação do projeto na Igreja de Santa Teresa.
19:00h Visita guiada à Reserva Técnica.
19:30h Coquetel no Claustro do Convento.
Local:
Museu de arte Sacra da UFBA.
Rua do Sodré, 276
Centro - Salvador-BA.

Nelson Magalhães Filho. Série BESTUNTO VADIO, 2007, mista s/ papel, 20X20 cm


segunda-feira, maio 21, 2007

O SAPATO DO MEU TIO


fotos: Manú Dias

O SAPATO DO MEU TIO
Mostra a história de dois palhaços, um tio e um sobrinho, em uma rica relação de aprendizagem.
Direção: João Lima
Com :Lúcio Tranchesi e Alexandre Luís Casali
Produção: Selma Santos Produções
TEATRO XISTO BAHIA - Biblioteca Pública do Estado (Barris)
De sexta a domingo, 20 h até o dia 17 de junho

sexta-feira, maio 18, 2007

BESTUNTO VADIO
Nelson Magalhães Filho. Série BESTUNTO VADIO, 2007, mista s/papel, 20X20 cm.

a cidade aborta todas as noites:
aturdiu minha cabeça errante
com uma manada sórdida de porcos
e todos agora somos
taturanas nocivas.

Nelson Magalhães Filho

quinta-feira, maio 17, 2007

Nelson Magalhães Filho. Série BESTUNTO VADIO, 2007, mista s/papel, 20X20 cm.

quarta-feira, maio 16, 2007

POEMAS DE LITA PASSOS OLHAR I

Com olhar longo e face indiferente
Contemplo manhãs e horizontes
Pastagens, hei de pastar, com fome insana
O espaço verde ou redemoinho de furacão
A morte é vida na qual
Folhas secas, cigarras, frutos, amor é inicial

Lita Passos


LEMBRANÇA I

Pudera eu contar esta história...
Mas é tão longa... Tão infinita...
Vem das raízes, da primeira seiva da terra.
Face prateada pelos reflexos do sol...
Lua cheia em pele de mares...
Como a claridade da lua, ainda lembro
A beleza da imagem daquele corpo aceso.

Lita Passos

RADIOGRAFIA DO SENTIR

Sou a tocada pelo fogo tingido de mel
A tocada pela saudade que exala da flor

Sou a tocada pela beleza do cerne do amor
A tocada pela música que exala do homem

Sou a tocada pela fina simplicidade de amar
A tocada musa pelo amor eterno do menino

Sou a tocada pela lágrima que enche o pote
A tocada pela ausência que preenche o vazio

Sou a alma tocada pelo canto do pássaro
A tocada pela voz do sentimento das criaturas

Sou a tocada pelo olhar que abre portas
A tocada pelo fio d água que corre ao vento

Sou a tocada pelo silêncio que derrama palavra
A tocada pela estrela da poesia viva

Sou a tocada pela sede do novo que nasce do novo
A tocada pelo novo amanhecer

Sou a alma tocada pela voz do vento, pela densa nuvem,
pelo prateado da lua, pelo calor da terra, pelo farol do sol.

Lita Passos

Lita Passos, natural de Cruz das Almas - BA é poeta e atriz. Participou de várias peças teatrais e recitais poéticos sob direção de Filinto Coelho, Renan Ribeiro e Nelson Magalhães Filho. Publicou em 1994 o livro "Flores de Fogo", e diversas antologias. Tem poemas no jornal A Tarde e nas revistas Exu, CEPA, Reflexos, etc.


Nelson Magalhães Filho. Série BESTUNTO VADIO, 2007, mista s/papel, 20X20 cm.

segunda-feira, maio 14, 2007

Nelson Magalhães Filho. Série BESTUNTO VADIO, 2007, mista s/papel, 20X20 cm.
meu rosto está marcado pelos diamantes
e eu grávido de rua.
vago nas gardênias
acendendo os caminhos de teu ilusório
enquanto enterneço teus receios caóticos.
Nelson Magalhães Filho

sexta-feira, maio 11, 2007

Nelson Magalhães Filho. Série BESTUNTO VADIO, 2007, mista s/ papel, 20X20 cm


esgar
a fuligem de uma dor
que pasmo sem engano
retorcida pelo teu beijo-orvalho.
estanco o pôr-do-sol
antes da limpidez densa
das lâminas.
no braço avulso,
tristezas abstidas.

Nelson Magalhães Filho