CINTILÂNCIAS ESCURAS
Uma poesia desnudando cintilâncias opacas,
nas falsas noites fervilhantes de brilhos escuros,
estupidamente rejeitando a paixão sem vergonha dos jardins do poeta.
Uma poesia despetalando zoófitos nas similitudes,
rasgando noites de recôncavo e
reencontrando as noites bêbadas nos absintos impositores e decididos.
Uma poesia-palavra sem semelhanças,
destronando e coroando significados e significantes nos vazios ocos,
morada e desprezo dos loucos primeiros.
Um poema sujo, desgrenhado,
despencando alturas em uma altivez capenga.
Uma poesia surda-assassina,
um sentimento-perigo,
traindo todos os fustes solitários e inútil,
Inútil traço latitudinário das emoções.
Sinais sem abrigo.
Uma poesia: perdição dos deuses envergonhados e das mulheres, embustecidas e coloridas nas vargens esquecidas das falsas noites cintilantes. Que grite.
Que faça.
São palavras indizíveis penetrando a carne insensata.
Um amor inadvertido e traidor.
Ronaldo Braga
NOVA ÁGUIA nº 38: Capa, Editorial e Índice...
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