no meu jardim de cássias à beira ervas que se devoram,
abeberava-se um lagarto tangido às ocultas
com as chuvas do inverno amargo,
enquanto minhas mãos imprecisas pela lua
ateavam fogo nos seixos às escondidas dos urubus.
no meu jardim à beira ervas melancólicas
acometia discórdias em sonhos insignificantes,
e a lua depõe seu sangue sombrio
sobre minha noite sem amor.
Nelson Magalhães Filho
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Há 20 horas

3 comentários:
quando eu leio este poema me vem a cabeça mais do que as palavras, por que a poesia de nelson magalhães filho trabalha em duas frentes:
uma é a significação das frases das orações, outra é o mundo que nasce das palavras e nesse mundo as apalvras já não são paLAVRAS, ANTES SÃO SENTIDOS, SÃO EMOÇÕES, são encantamentos.
e quando eu leio a poesia de nelson magalhães filho saio da leitura encantado e não me desencanto mais.
bela transformação.
...no teu jardim, há um lugar à beira seiva, onde corre verde a vontade e o desejo...procura-o.
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