Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

segunda-feira, março 05, 2018


Cineclube Mário Gusmão:  temos o prazer de convidá-la/o para a sessão de abertura da Mostra Performance Negra amanhã (06/03), às 18h30min, no Cineteatro Cachoeirano.  

Serão exibidos os filmes O Menino e o Velho, dirigido por Miguel Silveira (que estará presente na sessão), e Rio Zona Norte, dirigido por Nelson Pereira. Além dos filmes, haverá apresentação do ator Carlos Osvaldo Ferreira (Badinho) e da cantora Luedji Luna.


Artistas como Grande Otelo, Léa Garcia, Mário Gusmão, Ruth de Souza, Zezé Motta e Zózimo Bulbul compõem o elenco da Mostra, que pretende lançar olhar sobre a presença dos atores e atrizes negras nos filmes, bem como pensar suas trajetórias, para interpretar e reexaminar a cinematografia brasileira. Serão exibidos ao todo sete filmes, em cinco sessões seguidas de debate (de 06 a 09 de março). A programação conta ainda com uma oficina intitulada A imagem como espaço cênico, que será ministrada pelas atrizes Arlete Dias e Valdinéia Soriano, integrantes do Bando de Teatro Olodum.

Cineclube Mário Gusmão é um projeto de pesquisa e extensão vinculado ao curso de Cinema e Audiovisual da UFRB, atualmente é coordenado por estudantes e conta com apoio financeiro do Governo do Estado através do Fundo de Cultura - Edital Setorial de Audiovisual 2016 da Funceb, em parceria com Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda do Estado. Para a realização dessa Mostra, o Cineclube conta ainda com o apoio da Dimas/BA, do Festival de Documentário de Cachoeira (CachoeiraDoc) e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). 

terça-feira, fevereiro 20, 2018

Nelson Magalhães Filho. Página do Diário do Artista, 2004, mista sobre papel, 15X21 cm


esse coração-carniça aceso de presa
na madrugada provisória
porque hoje a noite é triste farejando
nossos ossos efêmeros.
beijo-sujo de desalento
lua de seda em cima de mim
no tempo em que amanhecer não era cinza
engastam os céus em má-hora: um anjo
sobrevoando a cidade apodrecida pelos ratos,
então enjoo com o fim do dia
pelas atrocidades da manhã.

Nelson Magalhães Filho


CINECLUBE MÁRIO GUSMÃO


De 06 a 09 de março, nós do Cineclube Mário Gusmão realizaremos a Mostra Performance Negra, no Cineteatro Cachoeirano. Artistas como Grande Otelo, Léa Garcia, Mário Gusmão, Ruth de Souza, Zezé Motta e Zózimo Bulbul compõem o elenco da Mostra, que pretende lançar olhar sobre a presença dos atores e atrizes negras nos filmes, bem como pensar suas trajetórias, para interpretar e reexaminar a cinematografia brasileira.

Compõe a curadoria da Mostra Performance Negra um curto apanhado de filmes que vai do fim dos anos 50 ao começo dos anos 2000, perpassando diferentes momentos do Cinema Brasileiro e distintas formas de abordar e entender a questão racial no país. 

Exibiremos sete filmes, em cinco sessões seguidas de debate. A programação conta ainda com uma oficina intitulada A imagem como espaço cênico, que será ministrada pelas atrizes Arlete Dias e Valdinéia Soriano, integrantes do Bando de Teatro Olodum. As inscrições podem ser feitas através do link:  https://goo.gl/dFFLDM


Programação*:
06 de março, 19 horas: “O Menino e o Velho”, dirigido por Miguel Silveira, e “Rio Zona Norte”, dirigido por Nelson Pereira | Pocket show de Luedj Luna
07 de março, 14 horas: “Anjo Negro”, dirigido por José Humberto | Roda de conversa: Rastros, Ecos e Movimentos de Mário Gusmão, com Clyde Morgan (professor/dançarino), profa. Cyntia Nogueira (UFRB), Laís Morgan (dançarina) e Miguel Silveira (cineasta);
07 de março, 19 horas: “Compasso de Espera”, dirigido por Antunes Filho | Debate com: prof. Osmundo Pinho (UFRB) e Valdir Alves (antropólogo), com mediação da profa. Izabel Fátima Cruz (UNEB);
08 de março, 19 horas: “Xica da Silva”, dirigido por Cacá Diegues | Debate com profa. Ângela Figueiredo (UFRB) e Valdineia Soriano (atriz);
09 de março, 19 horas: “O Dia de Jerusa”, dirigido por Viviane Ferreira, e “As Filhas do Vento”, de Joel Zito Araújo | Conferência de encerramento com Viviane Ferreira.
*Todas as sessões acontecerão no Cineteatro Cachoeirano


terça-feira, novembro 21, 2017

terça-feira, outubro 31, 2017


Nós do Cineclube Mário Gusmão gostaríamos de convidar todas e todos para mais uma edição da Rede Cinema Negra!

Amanhã (01/11), daremos início ao ateliê de formação da Rede com a oficina "O Ato da Escrita criativa", ministrada pela poeta Lívia Natália. A oficina será realizada no Pouso da Palavra, das 09 às 17 horas. Logo em seguida, às 19 horas, realizaremos no auditório do CAHL/UFRB a mostra de filmes com produções de cineastas negras. Serão exibidos os filmes: Enquanto os dias passam, de Cirlla Machado; Com os pés no chão, de Marise Urbano; No lugar da memória, de Luciana Sacramento.

Esperamos vocês! 

O Cineclube Mário Gusmão é um projeto de pesquisa e extensão da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Atualmente é coordenado por estudantes e conta com o apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

sexta-feira, outubro 06, 2017

A TARDE DE LIA



A TARDE DE LIA from Nelson Magalhães Filho on Vimeo.

Nelson Magalhães Filho [EXPERIMENTAL - 08' 15'']

Para arremessar flores nas águas nebulosas que guardam sua expiação, uma vez por ano, Lia faz uma travessia quase desumana nas tardes daquele assombroso dia.


Apresentando Ravah Assis 
Fotografia: Beto Azevedo e Nelson Magalhães Filho
Produção: Nelson Magalhães Filho, Beto Azevedo, Antônio Sales e José Gondim


Direção e Roteiro: Nelson Magalhães Filho
Trabalho realizado na disciplina Oficinas V - Orientação Profº Marcelo Matos
Curso de Cinema e Audiovisual - UFRB - Cachoeira - BA - 2015

domingo, outubro 01, 2017


El 12 de octubre, en el Restaurante-Bar La Cueva de Barranquilla haré el lanzamiento mundial de mi más reciente novela Los Infieles Vol. 1 Acto de pudor. Será el inicio de una breve gira por Colombia. Quedas cordialmente invitado,

Efraim

terça-feira, agosto 29, 2017


oroboro cão from Nelson Magalhães Filho on Vimeo.

OROBORO CÃO Nelson Magalhães Filho Trabalho desenvolvido na disciplina Gêneros de documentário - Curso de Cinema e Audiovisual - UFRB Orientação: Profº Marcelo Matos Experimental, 02' 38'', digital, Cachoeira - BA - 2014 Roteiro, fotografia, edição e direção: Nelson Magalhães Filho

sexta-feira, julho 28, 2017



Chamada de textos – Dossiê Mostra Sissako
Cineclube Mário Gusmão convida todas/os interessadas/os em cinema do continente africano, para inscreverem seus trabalhos no dossiê da Mostra Sissako. Os textos devem ser enviados até o dia 31 de setembro para o email: cinemariogusmao@gmail.com.
Os/as autores/as devem observar as normas para o envio (https://goo.gl/VH6w1P).
Aceitaremos críticas/artigos sobre os filmes exibidos na mostra, resenhas sobre a masterclass realizada por Abderrahamane Sissako em Cachoeira - BA, bem como textos que analise um ou mais aspecto da filmografia/trajetória do cineasta.
Na próxima quarta-feira, 02/08, às 19 horas, no auditório do CAHL/UFRB, haverá o lançamento da chamada de textos com uma sessão especial da Mostra Sissako. São exibidos os curtas: O jogo (1991), Outubro (1993) e Dignidade (2008).

quarta-feira, julho 26, 2017


Natureza Urbana Natureza é uma performance audiovisual desenvolvida pelos membros da OLapSo (Orquestra de Laptops SONatório UFRB) a qual utiliza o soundpainting (técnica de improvisação dirigida) e o live cinema (criação de videos e sons em tempo real).

É de graça! Nesta quarta-feira, dia 26 de julho no auditório do CAHL, em Cachoeira/BA, às 17h45.

segunda-feira, julho 24, 2017

quarta-feira, janeiro 04, 2017

segunda-feira, janeiro 02, 2017


A CANÇÃO DE YANA from Nelson Magalhães Filho on Vimeo.

A CANÇÃO DE YANA
Nelson Magalhães Filho
[Experimental] 03'4''
Uma homenagem ao poeta William Blake (1757-1827)
Apresentando: Camila Camila
Produção: Alencar Cerqueira, Antônio Sales, Beto Azevedo, José Gondim, Nelson Magalhães Filho
Fotografia: Alencar Cerqueira, Beto Azevedo
Roteiro e Direção: Nelson Magalhães Filho
Poema de William Blake
Voz: Nelson Magalhães Filho
Trabalho realizado na disciplina Oficinas V
Orientação: Profº Marcelo Matos
Curso de Cinema e Audiovisual - UFRB
Cachoeira - BA - abril de 2015

quinta-feira, dezembro 29, 2016


A DESAPARIÇÃO from Nelson Magalhães Filho on Vimeo.

A Desaparição
Nelson Magalhães Filho
[05' 16''] Experimental
Um anel, uma chave. Todo galo é inclemente. A derradeira passagem.
Com Luciano Fraga e Raul Vieira.
Produção: Luciano Fraga e Nelson Magalhães Filho.
Roteiro, fotografia, arte, edição e direção: Nelson Magalhães Filho.
Trabalho realizado na disciplina Oficinas II
Orientação: Profº Marcelo Matos
Curso de Cinema e Audiovisual - UFRB
Cachoeira - BA- 2016

terça-feira, agosto 23, 2016


Plínio Marcos de Barros ( 29 de setembro de 1935, Santos, SP -  29 de novembro de 1999, São Paulo, SP)   foi um grande escritor brasileiro, ator, diretor e jornalista, autor de inúmeras peças de teatro, escritas principalmente na época do regime militar.


Carta do filho de Plinio Marcos, Leo Lama
Meu pai morreu

Dia 19 de novembro é aniversário da morte do meu pai, escrevi este texto no
dia em que ele morreu: 19 de novembro de 99.

Meu pai morreu. Todo pai morre. Agora estou aqui pensando: o que foi que meu 
pai me deixou? Apartamento? Não. Carro? Nem uma bicicleta. Dinheiro? Ele não
conseguia pagar nem as próprias contas. Mas pagava a dos filhos. Roupas? Só
um chinelo velho, mas meu pé é maior. Sem testamento, sem herança, sem nada?
As peças. As peças de teatro? De quem são as peças de teatro? Meu pai era
escritor. Escritor de teatro. Teatro? Teatro dá dinheiro. Tem gente que
escreve peça pra ganhar dinheiro. Não, meu pai não. Não ganhou muito
dinheiro com teatro. O que ganhou, gastou. Deu dinheiro pra muita gente. Meu
pai não era um bom administrador. Era um "maldito", diziam, um "marginal",
mas não era bandido. Por que ele era maldito, afinal? Será que não pensava
nos filhos? Por que não escreveu peça pra ganhar dinheiro? "Ninguém tem
direito de pedir a um artista que não seja subversivo.". Meu pai escrevia
sobre puta e cigano sem dente. Puta, cigano sem dente e cafetão. Puta,
cigano sem dente, cafetão, presidiários, desempregados e fudidos. Puta e
cigano sem dente? Puta, cigano sem dente e cafetão é chato, porra! Puta,
cigano sem dente e presidiários não dava dinheiro. Puta, cigano sem dente e
desempregados não tinha "patrocínio". Mas eu queria tênis americano, eu
queria camisa Lacoste, camisa Hang Ten.

Meu pai tinha que ganhar dinheiro. Por que ele insistia em escrever peças
sobre puta, cigano sem dente, cafetão e presidiários? Ele insistia. Puta,
cigano sem dente, cafetão, presidiários, desempregados e fudidos. E o ator e
Jesus Cristo e nada de "comédia comercial". Mas eu queria o meu "All Star",
eu queria ter todos os discos dos Beatles. "Pai, me dá dinheiro pra comprar
uma guitarra!" E eu tive, eu tive a tal guitarra, eu comprei todos os discos
dos Beatles com o dinheiro dele (depois tive que comprar tudo de novo em CD
com o meu dinheiro e agora dá pra baixar de graça na internet). Calça boca
fina, camisa Hang Ten. Onde ele arrumava dinheiro? Onde ele arrumava
dinheiro pra me comprar tênis "All Star"? Ele achava que isso era "lixo
americano". Ele achava que essa merda importada só servia pra aumentar a
nossa alienação. Meu pai era generoso. Ele não ia deixar de me dar uma
coisa que eu queria, só porque ele achava que o que eu queria era imposto
pela sociedade de consumo. Ele tentava me orientar, mas respeitava minha
opinião de adolescente alienado. Onde ele arrumava dinheiro?

Era época de ditadura. Escrever sobre puta, cigano sem dente, cafetão e
presidiários, incomodava os "poderosos". Porra, ainda mais essa! Já escreve
sobre coisa que não dá dinheiro, mas além de não dar dinheiro, ainda é
proibido? "Pai, me dá dinheiro pra comprar disco do Bob Dylan!".

Meu pai fez novela, fez Beto Rockfeller. Mas Beto Rockfeller não conta, Beto
Rockfeller era A novela, tinha a cara dele, era revolucionária. Ele fazia o
Vitório, o melhor amigo do Beto. Ele ganhou um dinheiro, me comprou um
tênis, uma guitarra, um... Mas A novela era na Tupi. A Tupi faliu. Meu pai
foi fazer novela na Rede Globo: "Bandeira 2". Mas a Globo é no Rio, o Rio
tem praia, ele cabulava as gravações e ia pra praia: "Novela é chato pra
caralho, porra! O direito da gente coçar o saco é sagrado.", ele dizia. Ele
ia pra praia e lá ficava indignado porque naquela época a Globo não punha
negros nas novelas e quando punha era nos papéis de escravo ou mordomo. Meu
pai escreveu no jornal "A Última Hora" do Samuel Wainer, onde ele
trabalhava, que a Globo botou a Sônia Braga dois meses tomando sol pra ficar
escura, em vez de chamar uma mulata pra fazer "Gabriela". A Globo não
gostou. Os "poderosos" da Rede Globo não gostaram. Fizeram ameaças, juraram
de morte. Em fim, a Globo não dava mais. Quando ele tava por lá, ele bem que
quis escrever novela. Afinal, eu queria dinheiro pra comprar tênis, disco,
guitarra. Mas novela de puta, cafetão e cigano sem dente? Não, novela de
puta, cafetão e cigano sem dente não dá. Se fosse cigano com dente,
musculoso e mau ator, aí dava. Agora, cigano sem dente, pobre e fudido, não
dá. Então não dá. "Na televisão brasileira, artista estrangeiro morto
trabalha mais do que artista brasileiro vivo." Tudo bem, não podia fazer
peça de puta porque a ditadura não gostava, não podia novela de cigano
pobre, fudido e sem dente porque a T.V. não queria. Então o que que podia?
Não podia nem chamar a Rede Globo de racista, nem nada. A sinopse que ele
fez pra uma novela quando finalmente a Globo chamou ele, era de uma tribo de
ciganos que estupravam as filhas dos empresários e...bem, não aprovaram. E
as portas iam se fechando. E a ditadura ali, descendo o cassete. E eu queria
o meu tênis "All Star"! "Pai, porra, pai, eu quero dinheiro pra comprar time
de botão!" Mas enquanto os "poderosos" iam dizendo: Não! Não! Não! Ele ia
ganhando o respeito dos humildes de coração, um "povo que berra da geral sem
nunca influir no resultado", um povo fudido, os marginais, as putas, os
ciganos sem dente, os presidiários, um povo que não aparecia na T.V. "Pobre
na Rede Globo almoça e janta todo dia". Pobre na Rede Globo tem dente,
favela na Rede Globo não tem rato. Esse povo não era o povo dele. O povo
dele era entre outros, os sambistas, não esses de agora, de terno Armani,
cercados de loiras recauchutadas, mas, os sambistas das escolas de samba de
São Paulo. Os sambistas marginalizados, os que nunca gravaram CD. O Zeca da
Casa Verde, o Talismã, o Jangada, o Toniquinho Batuqueiro, o Geraldo Filme,
enfim, os que morrem na merda. "Silêncio, o sambista está dormindo, ele foi,
mas foi sorrindo, a notícia chegou quando anoiteceu...".

Então a solução era fazer show com os sambistas. Meu pai contava histórias e 
os sambistas cantavam suas músicas. Mas os sambistas eram crioulos. Negros?
Negro não podia. Em plena ditadura, Plino Marcos e "a negrada"? Que papo é
esse? Poder, podia, mas ninguém queria ver. "A burguesia não me quer", ele
dizia. Não podia peça de puta e novela de cigano sem dente pobre e fudido,
não podia dizer que a Globo era racista e ninguém queria ver show com "a
negrada". Então o que que podia? "Pai, me dá dinheiro pra comprar figurinha
do álbum Brasil Novo!"

A ditadura quando eu tinha 7 anos tava em todo lugar, em cada esquina, no
meio de cada casal que fazia "amor com medo", nos porões do Doicodi e nas
torturas atrozes que muitos sofriam e eu lá: "Pai, me leva na Expoex, pai,
me leva na Expoex! A Expoex é a exposição do exército! Eu quero ver os
soldados, pai! Eu quero ver os tanques!" E ele me levava. Senão eu chorava.
Eu chorava se eu fosse censurado e não pudesse ver a Expoex.

Quando eu tinha uns 12, 13 anos, lá estava o ônibus da escola pronto pra
partir pra Porto Seguro com todos os meus amiguinhos dentro e os pais, do
lado de fora, dando tchauzinho. E um amiguinho meu perguntou: "Quem é seu
pai?" Eu não tive dúvida: "Meu pai é aquele!" E o meu amiguinho: "Aquele de
terno e gravata? Aquele que tá conversando com o meu pai?" E eu: "É,
aquele." O meu amiguinho gritou: "Pai, esse aí é o pai do Leo!" E a
professora ouviu. Não, meu pai não era aquele de terno e gravata. Meu pai
era outro. Era o que todo mundo tava chamando de mendigo. Meu pai era aquele
de macacão e chinelo! Gordo de macacão e chinelo! "O pai do Leo é mendigo, o
pai do Leo é mendigo!" Afinal, quem trabalha tem que usar terno e gravata.
Naquela época, um moleque de 12, 13 anos, era um tapado. Ou isso era
característica minha? "Pai, por que você não trabalha? Pai, por que você
dorme até meio dia? Pai, por que o pai do Paulinho tem carro e você não? Por
que você chega de madrugada em casa? Pai, por que você anda de macacão e
chinelo? Pai, me dá dinheiro pra comprar..." E o meu pai me dava dinheiro.
Eu estudava em escola de "burguês". Eu estudei nas "melhores escolas". E
olha que o meu pai odiava escola. "A cultura nas mãos dos poderosos
constrange mais do que as armas; por isso, a arte e o ensino oficiais são
sempre sufocantes", ele dizia. Ele saiu da escola na 4ª série do primário.
Ele era canhoto. Na escola, as professoras o obrigavam a escrever com a mão
direita. Ele fugiu da escola, ele sempre foi da esquerda. Era chamado de
analfabeto. Com 21 anos escreveu "Barrela!". "Me chamavam de analfabeto,
como se isso fosse privilégio meu, neste país." Meu avô queria que ele
trabalhasse no Banco do Brasil, mas ele queria é subir num banco no meio da
praça e fazer números de palhaço. A família chegou até a pensar que ele era
débil mental. Meu pai foi pro circo. Ele amava o circo. Foi ser palhaço de
circo. Era o palhaço Frajola. A escola dele era o circo, a minha era escola
de "burguês". Mas como ele pagava a minha escola?

Foi preso, foi solto, ameaçado, escrevia em jornais e revistas, quase todos
que existiam. Foi despedido de todos. A censura não queria meu pai
escrevendo em lugar nenhum. O que fazer? Sair do país? Ele não falava
direito nem o português. O que fazer? "Pai, me dá dinheiro pra comprar uma
calça Soft Machine!".

Uma vez o meu pai tava com uma dívida muito grande, tava com dificuldade de
pagar as prestações de um apartamento que ele comprou pra gente. Daí um belo
dia a Ford ligou pra ele, convidando pra fazer um comercial. Era uma puta
grana, dava pra pagar as dívidas e ficar bem tranqüilo por uns tempos. Meu
pai não fazia comercial.

Foi vender livro na rua. Nas portas dos teatros, nas portas das faculdades,
nos bares. Foi vender livro na porta de teatros aonde se apresentavam
artistas piores do que ele. Ele mesmo editava os livros, ele mesmo ia
vender. E podia? Não. Não podia. Várias vezes ele foi expulso pelo "rapa"
como um camelô comum. E ele chorava? "Perseguido, o caralho! Eu não sou
nenhum mosca-morta. Eu fiz por merecer. Fui uma pessoa que aproveitou bem a
fama. Eu apedrejei carro de governador, quebrei vidraça de Banco. Foi uma
farra. Não teve mau tempo." Tinha. Tinha mau tempo, mas ele não reclamava,
eu nunca ouvi o meu pai reclamando da vida. Eu nunca ouvi o cara dizer que a
vida tava difícil, ou que era "foda". Não. Ele só reclamava das injustiças.
Ele berrava contra as injustiças, os preconceitos, a apatia. Meu pai é o
Plínio Marcos, porra! Bela merda, tem gente que nunca ouviu falar. Pra
muitos era só um fudido que não deu certo na vida, andando feito mendigo
pelo centro da cidade. Já morreu. Não era melhor do que ninguém. (Não?)

"Tudo se consegue com esforço; não se chega a lugar nenhum sem caminhar." 

Com 15 anos eu quis sair da escola. Ele disse: "Sai logo dessa merda, eu te
sustento até você encontrar sua vocação!" Eu saí, eu saí daquela merda na
metade do 1º colegial. Acho que qualquer ser humano com o mínimo de
sensibilidade, sabe: o ensino do jeito que é, faz mal pra saúde.

Eu devia ter uns 17 anos, era de madrugada. Eu morava com ele. Eu tava na
mesa da sala com o violão, triste, querendo encontrar a minha vocação, sem
saber o que dizer, inibido, pensando em todos os artistas que eram muito
melhores do que eu. Meu pai levantou pra tomar água, me viu ali, não disse
nada. Foi até o escritório, voltou com um livro e leu um poema pra mim. "O
corvo" do Edgar Allan Poe. Não disse nada, só leu a poesia. Não foi o
conteúdo, foi o tom da voz dele, aquela voz doce que ele tinha. Ele
declamava e eu ouvia como se ele me pegasse no colo. Foi dormir e me deixou 
ali, ouvindo o corvo dizer: "para sempre!". Eu virei escritor, com 21 anos
escrevi "Dores de Amores". Meu pai era um incentivador, idolatrava os
filhos. Queria ser mergulhador só porque o Kiko, meu irmão, é. A Aninha,
minha irmã, era tudo pra ele. Eu fiz vários shows com ele, pelas faculdades,
pelos teatros, pelos bares. Ele contava histórias e eu tocava violão. Meu
pai era generoso, violento, essencial, amava, amava tanto as pessoas que
chegava mesmo a odiá-las. Lutava, berrava e me acordava. Meu pai não me
deixou apartamento, carro, dinheiro, bicicleta. Nem o chinelo dele me serve.
Eu tive e tenho que ganhar o meu próprio dinheiro. Até hoje, muito pouca
gente quer montar as suas peças e muito pouca gente quer assistir. Meu pai
já não precisa mais vender livro na rua, pra quem não quer comprar, ou pra
quem compra só pra "ajudar". O que eu mais queria é que ele me ouvisse
agora: "Pai, você não me deixou nada que se possa enxergar. Nem carro, nem
apartamento, nem bicicleta, nem chinelo. Me deixou a sua indignação, um
pouco do seu temperamento, a lembrança de ver você acordando todo dia com 
uma puta força de vontade, com uma puta vontade de viver, sempre alegre,
sempre fazendo piada das próprias desgraças, sempre dando tudo que ganhava
pros filhos, sem nunca acumular porra nenhuma." E se ele me escutasse ele
diria, com um sorriso malandro sem dentes, segurando as lágrimas: "Ê, Leo
Lama!" Meu pai não sabia receber elogios. Mas se ele me ouvisse agora, eu
diria:

Pai, eu preciso te contar, no seu velório foi muita gente, pai. No seu
velório, estiveram os maiores artistas do país. Médicos, políticos,
advogados, empresários, fãs, gente do povo, crianças e os sambistas. Os
sambistas cantaram sambas em sua homenagem, pai. Suas mulheres, seus amigos,
seus inimigos, todos nós, todos nós te aplaudimos quando o seu caixão foi
colocado em cima do carro de bombeiro. Eu tava segurando uma aba, o Kiko
outra. Você foi cremado, pai. Seus amigos fizeram discursos emocionados,
disseram: "Plínio Marcos, um grito de liberdade!" Nós jogamos suas cinzas no
mar de Santos. Na ponta da praia, onde você passou sua infância. O
Jabaquara, seu time, ficou na porta do pequeno estádio, uniformizado, com a
mão no coração, vendo o cortejo passar. O povo na areia batia no surdo e
entoava um canto mudo no crepúsculo santista e nós no barco deixávamos você
escorrer pelos nossos dedos como se você nem tivesse existido. Eu ainda quis 
te achar no meio do mar, mas de repente já era só o mar. E você foi, como
todo mundo vai.

É isso aí, pai: tanta gente te amava. Você sabia? Acho que ninguém te amou
tanto como a minha mãe. O amor dela ecoa em mim.

Mas, e eu, pai? E eu? Será que eu vou ter a mesma fibra que você? Eu não
gosto de viver como você gostava. Eu não tenho a sua coragem. "A poesia, a
magia, a arte, as grandes sabedorias não podem habitar corações medrosos."
Eu acho que eu vou me vender, pai, eu acho que eu já sou um vendido. Eu só
queria ser essencial, essencial como você. É difícil. Eu reclamo. A vida tá
uma bosta! Tá difícil de encontrar pessoas essenciais, pai. As pessoas só
falam e pensam no que é supérfluo. Eu não tenho assunto. Eu me sinto
sozinho. Eu não sei sobre o que escrever. O mundo tá se destruindo, tem
muita gente fudida, tem muitas festas e muita fome. Que indecência, pai, que
vergonha que eu sinto desse tempo que eu vivo. Eu sei que você não tem saco
pra choramingo, pai, mas me deixa desabafar, pai, só hoje, me deixa te falar
sobre o sonho dessa gente, você sabe, essa gente, os "homens-pregos", fixos 
no mesmo lugar. Essa gente quer ter carro, pai, casa com piscina, essa gente
quer ser rica e famosa, essa gente quer ser musculosa e quer ter bunda, essa
gente diz que acredita em Deus e fode ele, essa gente não quer ser
essencial, pai, essa gente... essa é a minha gente, pai, às vezes eu me olho
no espelho e me acho parecido com essa gente. Me perdoa.

Um beijo do seu filho, Nado, que ainda usa o nome artístico que a gente
inventou juntos: Leo Lama.


Leo Lama é músico, poeta, dramaturgo, diretor, escritor, roteirista e palestrante.


quinta-feira, julho 28, 2016

domingo, julho 17, 2016

Dia 21 às 20h estarei participando da Exposição Comemorativa dos 20 anos do MAC - Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira - Feira de Santana - BA




O vocalista Alan Vega, do grupo Suicide, considerado um dos personagens mais influentes da história do rock e um dos pioneiros do punk, morreu aos 78 anos, enquanto dormia, informou neste domingo (17) o músico Henry Rollins.

Morreu o cineasta argentino-brasileiro Hector Babenco (1946-2016)

terça-feira, julho 05, 2016


Abbas Kiarostami (1940-2016)

terça-feira, maio 24, 2016

domingo, maio 15, 2016



Nelson Magalhães Filho - da série ANJOS BALDIOS


CANÇÃO DOS CÃES DE LUZ

Naquela tábua horizontalmente assentada
onde indivíduos maus incriminam-se ao partir do dia,
e tantas aspersões com gotas marejadas das lamúrias
em cada lugar ermo desta cidade indecorosa...
Num só instante daqueles olhos iluminados
pela lua arroxeada e  estrelas vermelhas: fomos
todos nascidos do mesmo pai e da mesma mãe
entrelaçados pelas pontas dos cabelos
bruxuleados por um breve laço de amor: sim,
poesia para deliciar nossas almas de lírios selvagens
ó fragmento orgíaco da purificação, a brutalidade
irada dos viajantes sombrios
embriagou-me naquela mesa
sob estrelas vermelhas queimadas em minha mente.
Não foi necessário prolongar meus pés nus: ainda
não era o tempo das tormentas
pois a ansiedade dos lírios selvagens não são para sempre
e nosso amor será rasgado pelo veneno
e pelos cometas ó divina inspiração: êxtase
supremo da libertação a que nada
falta das forças de nosso inferno!
Os amigos não precisam ser lamparinas
para nos conduzir até o jardim.
E quando a madrugada foi violentada por minha euforia
acendi o sol negro, derrubei rezas mortíferas,
penetrei  as mãos no fundo do coração
e arranquei por fim a beleza trágica
de beijar a inquietude de meu demônio.


Nelson Magalhães Filho, em As Luminárias, 1982

quinta-feira, janeiro 14, 2016



De 18 a 27 de janeiro, o Cineclube Mário Gusmão realiza a Mostra Dib Lutfi. A mostra homenageia um dos mais importantes câmera e diretor de fotografia do Brasil, uma figura central do Cinema Novo: o incrível Dib Lutfi.

A mostra terá ao todo 6 sessões, exibindo e debatendo importantes obras do cinema brasileiro que Dib Lutfi participou como câmera/diretor de fotografia. As sessões começam às 19 horas, sempre acompanhadas de debate com convidados após as exibições. Confira a programação:

Segunda-feira (18/01): "Êsse Mundo é Meu", um filme de Sérgio Machado;
Terça-feira (19/01): "O Desafio", um filme de Paulo César Saraceni;
Quarta-feira (20/01): "Os Deuses e os Mortos", um filme de Ruy Guerra;
Quinta-feira (21/01): "Carreiras", um filme Paulo Hermida;

Terça-feira (26/01) - Sessão Especial: "Fome de Amor", um filme de Nelson Pereira dos Santos;
Quarta-feira (27/01) - Sessão na Praça: "Quando o Carnaval Chegar", um filme de Cacá Diegues;


Para realizar a ‪Mostra Dib Lutfi‬, o Cineclube Mário Gusmão conta com o apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

quarta-feira, dezembro 09, 2015

Cineclube Mário Gusmão e a produção Azul lançam na próxima quinta-feira, 10/12, A Morte do Cinema, dirigido por Evandro de Freitas.A sessão especial será no Cine Theatro cachoeirano, às 19 horas, com a presença do diretor e do elenco.

Sinopse:
Quando levantou a casa, o sonho viveu lá. Depois morreu e tudo mudou: ficou a ruína. Dizem que ruína é coisa alguma, mas não é verdade. Ruína é a casa do abandono.

No elenco estão Adilson Nascimento, Edith Conceição, Raimundo Cerqueira, Roque Araújo e Samir Suzart.

A Morte do Cinema, filme de Evandro de Freitas, é uma realização da produtora Azul e conta com o apoio do Governo do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura do Estado.

Não perca!


quarta-feira, dezembro 02, 2015

segunda-feira, novembro 09, 2015


De 10 a 14 de novembro, o Cineclube Mário Gusmão realiza a Mostra Transáfrica, reunindo filmes de diretores africanos e brasileiros propondo um diálogo sobre a África. As exibições, acompanhadas de debates, vão ocorrer sempre a partir das 19 horas, no auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras (Cahl/UFRB).

A Mostra Transáfrica terá 5 sessões, com 5 longas e 1 curta-metragem. Os diálogos sobre África se darão através de dois pontos de vista: dos diretores africanos, com três filmes que discutem o lugar da fala em sociedades africanas; dos diretores brasileiros, que reinventam o continente africano aqui no Brasil.

Confira a programação por dia:

Terça-feira (10/11): “Ceddo”, de Ousmane Sembène. 
Debate com Prof. Túlio Muniz (UNILAB);

Quarta-feira (11/11): “Keita”, de Dani Kouyaté. 
Debate com Profa. Ângela Figueiredo (UFRB) e Profa. Cristiane Souza (UNILAB);

Quinta-feira (12/11): “Bamako”, de Abderrahmane Sissako. 
Debate com Prof. Kabengele Munanga (visitante UFRB) e Profa. Amaranta Cesar (UFRB);

Sexta-feira (13/11): “Alma no Olho”, de Zózimo Bulbul e “Leão de 7 Cabeças”, de Glauber Rocha. 
Debate com Prof. Jacques Depelchin (visitante CEAO/UFBA) e Profa. Cyntia Nogueira (UFRB);

Sábado (14/11): “Terra deu, terra come”, de Rodrigo Siqueira.
Debate com Makota Valdina Pinto, educadora e líder religiosa, e Elen Linth, cineasta;


Cineclube Mário Gusmão, para realizar a Mostra Transáfrica, conta com o apoio do Centro de Artes, Humanidades e Letras – CAHL/UFRB, do Mestrado Profissional em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas/UFRB, da Cinemateca da Embaixada da França no Brasil e do Institut Français . Além do apoio financeiro do Governo da Bahia, através do Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA).


Contamos com sua presença!

quarta-feira, outubro 28, 2015

Através de uma parceria com o Cineclube Mário Gusmão e o Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB, o XI Panorama Internacional Coisa de Cinema será realizado, pelo quarto ano consecutivo, simultaneamente em Salvador e Cachoeira.
A programação em Cachoeira acontece de 29.10 a 03.11 (quinta a terça), no Auditório do CAHL e no Cine Theatro Cachoeirano, envolvendo sessões especiais, competitivas nacional e baiana, debates com os realizadores e programação musical, além de oficina, conferência e do Seminário 100 anos de Walter da Silveira. 
Para saber mais informações sobre a programação: http://coisadecinema.com.br/xi_panorama/cachoeira

sábado, setembro 26, 2015


SOBRE A PEÇA
A peça apresenta um casal em crise permanente e discute a dificuldade da fidelidade e da confiança. Em um jogo de medos, mentiras, armadilhas e declarações de amor eterno e de uma suposta liberdade, o casal acaba arrastando para o esgoto, suas almas, e junto destruindo toda sua humanidade.

Cia Atores do Sol apresenta

SOMOS TODOS LÁZAROS
DIREÇÃO - R.B.Santana
Dramaturgia - Cia Atores do Sol

De 13 de Outubro à 26 de Novembro 20 hs
Na Casa Preta
( Bairro Dois de Julho )

terça-feira, agosto 25, 2015


ainda resta acender um cigarro, comer uma cereja
afogueada. é foda
esse palor noturno e belo, e voragem
é o esquecimento que desconsola quando chove
e desta antiga janela
enxergo lá embaixo meus pensamentos ultrapassarem
as ruas encharcadas de receio.
desesperadamente sonho com tuas mãos
ocas e sinuosamente teus seios envoltos
em flores selvagens despedaça minha agonia.
não há mais amor na noite que estronda
sem ninguém lá fora que me acene um adeus
ou um rinoceronte vadio que ronda
meu azedume de cerveja quente
e vinho barato:
pedras incrustadas nas gretas das portas,
um amor sombrio que dos seus beijos felinos
vem os jasmins: desejo é sempre
cálido remorso.

Nelson Magalhães Filho

quinta-feira, maio 07, 2015



O Cine Virada é o festival interno de cinema da UFRB organizado pelo PET Cinema, pensando a visibilidade e reflexão sobre a produção do curso de Cinema e Audiovisual. A terceira edição será no dia 13 de maio no auditório do CAHL contando com as categorias de ficção, documentário e experimental.

terça-feira, maio 05, 2015

quarta-feira, abril 08, 2015


Fernando Coni Campos, em 1983, fez como magia que se multiplicassem os alimentos da feira cachoeirana.
O mágico Dom Velasquez e sua partner Paloma, ao se depararem com a escassez de alimentos que aquela população enfrentava, decidiram usar de seu ilusionismo para proporcionar alguns minutos de lúdica alegria àquele povo. Infelizmente, a magia não perdurou; a população frustrada se revoltara, e o delegado, que antes já havia imposto uma pré-censura ao show de Dom Velasquez para acontecer no Cinetheatro (sim, o de Cachoeira), o pusera atrás das grades.
Fernando Coni Campos é diretor baiano. O Mágico e o Delegado, seu último longa metragem, teve suas cenas gravadas nas ruas de Cachoeira em plena década de oitenta e também em Castro Alves, sua cidade natal. E é aqui, do recôncavo, que nós do Cineclube Mário Gusmão, convidamos você para a exibição do filme que encerra a mostra Fernando Coni Campos.
Quarta feira, 08/04, às 19hrs no auditório do CAHL. Entrada gratuita.

segunda-feira, março 23, 2015


Próxima quarta (25), o Cineclube Mário Gusmão exibe o filme Ladrões de Cinema, do cineasta baiano Fernando Coni Campos.
O longa lançado em 1977, trata-se de uma experiência metalinguística, expondo o cinema como uma atividade marginal, o cinema apresentando sobre fazer cinema. O diretor consegue expor à sua maneira e de forma cômica, um expressivo retrato de se fazer cinema no Brasil na época de sua realização.

sábado, março 07, 2015


Fernando Coni Campos procurava produzir um cinema de poesia e empatia, o que afastava suas obras do Cinema Novo. O diferencial do cineasta baiano é justamente abordar a fabulação, o sonho, construir uma dramática popular brasileira. Um cinema que na sua época vivia uma luta contra a censura policial, comercial e ideológica, na qual o cineasta prontamente delatou.

É com muito orgulho que o Cineclube dá início aos trabalhos com a Mostra Coni Campos, exibindo o filme “Viagem ao Fim do Mundo”. O longa se passa durante uma viagem de avião, onde cada personagem aparenta viver em seu próprio universo. Passageiros lêem jornais e revistas enquanto um rapaz lê Machado de Assis, detendo-se no capítulo “O delírio”, do livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

AUDITÓRIO DO CAHL | 11/03 | 19H
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

terça-feira, janeiro 20, 2015

sábado, novembro 01, 2014




Ontem estive na cidade de Cachoeira, na FLICA, e fiquei maravilhado com o dramaturgo Matéi Visniec. A mesa 06 teve a temática Cortinas abertas: do palco aos livros, com o Matéi Visniec (Romênia) e Márcio Meirelles, com mediação do Djalma Thurler.

Veja aqui:http://www.flica.com.br/