Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

sábado, novembro 01, 2014




Ontem estive na cidade de Cachoeira, na FLICA, e fiquei maravilhado com o dramaturgo Matéi Visniec. A mesa 06 teve a temática Cortinas abertas: do palco aos livros, com o Matéi Visniec (Romênia) e Márcio Meirelles, com mediação do Djalma Thurler.

Veja aqui:http://www.flica.com.br/





terça-feira, setembro 30, 2014

quinta-feira, setembro 11, 2014

sexta-feira, abril 04, 2014

terça-feira, março 25, 2014


Foto: Dulce Sanches


As noites desabam insinuando assombros
Que gotejam em minhas imprecisas lembranças
Minha essência tem sido sempre este tumulto
Nuvens no céu obscuro não alcançam teus amores
Erramos infelizes pelas passagens clandestinas
Eu sou um homem que voa nos aguaceiros
Rezo para você um rosto que nunca é visto

Às vezes despejei lágrimas doídas em teu corpo
As tempestades arrebentam tuas flores mimosas
Aparições vazam diante de tua afeição fingida
Luares chamejam pelo negrume e esqueço teu cheiro
Beije meus olhos sem mágoas nos bosques
Eu sou um homem que voa nos aguaceiros
Rezo para você um rosto que nunca é visto

Nem sei até onde posso ver as sediciosas paragens
Sem coiotes que rodopiam ou cães ambíguos
Apenas abraçarei sozinho através das pradarias
Sem princípios e sem alguém para idolatrar
O mar jorra desenganos enquanto permaneço no quarto
Eu sou um homem que voa nos aguaceiros
Rezo para você um rosto que nunca é visto

Nelson Magalhães Filho