VÉSPERAS VIGIADAS
para Jane Zaidys
Fico olhando uns discos,
Bob Dylan, Ângela Ro Ro, Debussy
uma reprodução de Modigliani
os cachos de meus cabelos sorviam
a densidade pesada da tarde.
Como raiz de uma flor maldita, adquiri um
caduceu
que mantém minha vertigem
numa conjuntura extremamente perigosa
nem quando Béla Bartók vagueia
por Netuno um perfume incurável
açoita-me nesta tarde.
É aí que me perco nos labirintos
de Jeanne Hébuterne numa tragada
de piano. O sol pode baixar sua febre
e destrancá-la do mistério
antes que suas sete almas sejam sugadas
para sempre pelas estrelas e aí,
aí já será demasiada Jeanne Hébuterne
em silêncio
uma mensageira do meu inexistente
uma mágica sem retorno
porque a cidade agora é um vômito verde
versejado pelas ruas
e suas figuras sozinhas
sangradas em segredos também, para sempre,
revelados.
Nelson Magalhães Filho
Uma outra revista a ler: “Portugalidade: Identidade, Cultura e Alma Lusa”
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Sob o título genérico de “Portugalidade: Identidade, Cultura e Alma Lusa”,
publicam-se neste número da Revista *Super Interessante* catorze ensaios
qu...
Há um dia
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