Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

segunda-feira, abril 22, 2013

Paisagens sonoras- noite de improvisação musical livre




Com a revolta do astro sol, a seca no nordeste com cara de sub-saara nos desenha paisagens de existências distópicas. Esta sessão de improvisação musical, com artistas de diferentes formações e orientações e inspirada no calor do fim do mundo convida artistas e espectadores a imaginarem uma trilha para nossa realidade, absurda ficção concreta, frustrante vida colorida mesclada de esperança.
Uma música sem regras, além da lógica ou da inclinação musical dos envolvidos, a improvisação musical livre, por alguns artistas definida como música sem memória, incorpora o acaso e o impreciso em seu pensamento musical.
A primeira performance musical da humanidade não poderia ser nada mais do que uma improvisação livre.
Um convite à uma noite de música de improvisação, revisitando o homo sapiens músico, livre, do começo de tudo, do começo do fim ou do fim do começo de uma era renascida das cinzas deixadas pelo sol nordestino.

Dia 16 de maio de 2013 às 21h.
Casa da Cultura, Av XV de Novembro, 56, Cruz das Almas, BA
Entrada Franca.

VEJA MAIS:
http://tragedieoptimiste.wordpress.com/paisagens-sonoras-noite-de-improvisacao-musical-livre/

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