Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

sábado, março 07, 2015


Fernando Coni Campos procurava produzir um cinema de poesia e empatia, o que afastava suas obras do Cinema Novo. O diferencial do cineasta baiano é justamente abordar a fabulação, o sonho, construir uma dramática popular brasileira. Um cinema que na sua época vivia uma luta contra a censura policial, comercial e ideológica, na qual o cineasta prontamente delatou.

É com muito orgulho que o Cineclube dá início aos trabalhos com a Mostra Coni Campos, exibindo o filme “Viagem ao Fim do Mundo”. O longa se passa durante uma viagem de avião, onde cada personagem aparenta viver em seu próprio universo. Passageiros lêem jornais e revistas enquanto um rapaz lê Machado de Assis, detendo-se no capítulo “O delírio”, do livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

AUDITÓRIO DO CAHL | 11/03 | 19H
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB

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