Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

sexta-feira, novembro 21, 2008

neste sábado dia 22 na galeria pouso da palavra

Esta exposição busca priorizar uma releitura da paisagem urbana, olhando para o interior da cidade, n0 âmago dos subúrbios, até mesmo dos centros onde o fluxo das pessoas e do tráfego, forma parte do 1movimento peristáltico urbano. Propõe-se uma reflexão sobre o contexto que envolve o homem e a cidade com enfoque no espaço geográfico ocupado pela periferia sob o ponto de vista da arte, do conhecimento, e do reconstruir. A proposta é instigante e aborda um diagnóstico sobre aspectos como costumes, escassez, degradação e sofrimento que transita pelas ruas, vielas e becos. Portanto, a cidade é a base material socialmente produzida para acolher o homem, um organismo vivo e articulado, um teatro onde tudo acontece, numa representação concreta da vida urbana.
(Profa. Dra. Graça Ramos)

Esta exposição apresenta ao público o corpo humano dissecado e visceralmente trágico; um corpo perdido e achado no caos contemporâneo das grandes cidades do mundo. Um corpo mutante em toda crueldade e ao mesmo tempo repleto de uma beleza estranhamente dilacerante.
Uma mostra imperdfvel, em que o espectador não ficará imune diante do hibridismo estético da arte pós-­moderna.
(Nelson Magalhães Filho, artista visual)

Curadoria: Prof. Dra. Graça Ramos
Artistas:
Anderson Marinho
Bené Santana
Conceição Dalto
Devarnier Hermbadoom
Diego Cardoso
Eliane Moniz
Ed Carlos
Ivaldo Sanfer
Jairnilson Veloso
Karomila Silva
Lédna Barbeitos
Lorena Santos
Maristela Bernal
Nelson Magalhães F
Nerea Zumeta
Prissilla Nascimento
Hanna Mikulenkova
Pablo Escauriaza
Ana Maria Bahiana
Jaci Matlos
George Lima
Luis Aquilar
Mariana Desidério
Catarina Santa'anna
Graça Ramos
Jani Sault
Ricardo Guimarães

Abertura: 22 de novembro de 2008, às 21 :OOh
Visitação: 22 de novembro a 05 de dezembro 2008
Local: Galeria Pouso da Palavra
Praça da Aclamação n008
Cachoeira - BA



Nelson Magalhães Filho

Jaci Mattos

3 comentários:

Jacinta Dantas disse...

Daqui, fico torcendo para que seja sucesso essa exposição. Que o brilho da luz ilumine todos os artistas.
Vou ficar por aqui mais um pouquinho, conhecendo seu blog.
Um abraço

hipergheto disse...

Nelson, como vão as coisas ou as coisas vão? Vc está dando aula na Ufba? Passarei por lá assim que puder. Boa sorte na exposição. Um grande abraço e vida longa.

kek-w disse...

Lovely!