Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

terça-feira, agosto 04, 2009

instalações

Daniel Almeida


Nelson Magalhães Filho



Ieda Oliveira


Zé de Rocha (detalhe da instalação)


Instalações

Daniel Almeida, Ieda Oliveira, Nelson Magalhães Filho e Zé de Rocha
Salão de Exposições Nelson Magalhães Filho

Casa da Cultura Galeno d’Avelírio
Cruz das Almas – BA
31/07 a 30/08/2009


Há muito que o conceito de “Arte” não se resume aos meios consagrados, como a pintura e a escultura. A partir do modernismo, iniciou-se uma constante busca por novos suportes. Hoje, a “Arte” não se restringe apenas à experiência visual.
Sem querer cair no didatismo e com um título que torna explícito o nome de sua própria matéria apresenta-se, na Sala de Exposições da Fundação Cultural Galeno d’Avelírio, a mostra INSTALAÇÕES. Reunindo quatro artistas (Daniel Almeida, Ieda Oliveira, Nelson Magalhães Filho e Zé de Rocha) oriundos de diversas vertentes, a mostra compõe um pequeno quadro dessa linguagem e de sua versatilidade como veículo para os mais diversos tipos de discursos.
Uma instalação não é apenas escultura ou arquitetura. Utiliza o entorno, a disposição, as sensações, o pensamento. Pode englobar a pintura, o ready-made, o espaço. Cria um percurso, mesmo quando é executada sobre um suporte bidimensional, no que se costuma chamar de “instalação de parede”.
Numa época de indefinições, em que não há mais certezas a respeito do que é ou não “Arte”, os artistas aqui reunidos levam ao público cruzalmense um momento propício a reavaliações e críticas, passando ao largo do idealismo conservador e da banalização midiática e propondo um mergulho sem preconceitos nas experiências que uma instalação pode suscitar.
Zé de Rocha, artista visual e curador da mostra


Sobre os artistas:

Daniel Almeida nasceu no Rio de Janeiro – RJ – 1980. Vive e trabalha em Salvador. Cursa Bacharelado em Artes Plásticas na Escola de Belas Artes – UFBA. É mediador no Museu de Arte Moderna da Bahia. Participou de várias edições da Bienal do Recôncavo e dos Salões Regionais de Artes Visuais promovidos pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, onde ganhou dois prêmios, como também em outros salões pelo Brasil. Seu interesse perpassa pelo cotidiano urbano e por ações ligadas à natureza para criar instalações, desenhos e pinturas.

Ieda OIiveira nasceu em Santo Antônio de Jesus – BA – 1969. Vive e trabalha em Salvador. É bacharel em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes – UFBA e Mestre em Artes Visuais pela mesma Universidade. Desde 1994 vem participando de mostras nacionais e internacionais, dentre elas a 26ª Bienal Internacional de São Paulo e a III Bienal do Mercosul. Já fez residências artísticas no Taipei Artist Village em Taipei – TW, Kunstlerhaus de Hamburgo – GE. Fez individuais em Berlim, Munchen, Siegburg e outras, como também já ganhou vários prêmios. Suas ações se desdobram entre instalações, performances, objetos, desenhos, pinturas e outras linguagens , sendo que sua poética esta vinculada ao cotidiano popular nordestino, conectando a linguagem local ao global.

Nelson Magalhães Filho é cruzalmense, nascido em 1958. Artista visual formado pela Escola de Belas Artes da UFBA. Premiado nas Bienais do Recôncavo, nos Salões Regionais de Artes Visuais da Fundação Cultural da Bahia, além do Prêmio BRASKEM de Cultura e Arte. Tem participado de diversas mostras individuais e coletivas em vários estados do Brasil, assim como em outras cidades do mundo, como em Segóvia, Barcelona, Málaga, Valladolid (Espanha) e Nova York (EUA). Atualmente é professor de Pintura na EBA/UFBA e desenvolve pesquisa em cinema e vídeos experimentais.

Zé de Rocha, 1979, criado em Cruz das Almas, é bacharelado em Artes Plásticas pela UFBA. Utiliza técnicas tradicionais, como o desenho, a pintura e a gravura para produzir imagens de forte impacto, permeadas de crítica social e pela constante iminência da morte. Recentemente, estudou durante três meses em Milão – Itália, decorrente do grande prêmio concedido pela IX Bienal do Recôncavo. Participou e foi premiado em diversas mostras pela Bahia, muitas delas produzidas pela Fundação Cultural desse estado.



O público foi conferir as INSTALAÇÕES


Zé de Rocha e NMF


Libório & Banda Combustão Espontânea




3 comentários:

Luciano Fraga disse...

Buenas,sou suspeito por ser fã de vocês, quem aguardou na fila ou na parada do carro de valores é que ganhou com o brilho desses trabalhos, e essa foto com ai o Zé tá meio suspeita, denunciando(muita onda),muito bom mesmo, abraço.

Zinaldo Velame disse...

Grande evento, Magalhães! Trabalhos de primeira e o show de Libório e banda foi demais! Abraço!

Ruela disse...

Parabéns a todos.

Grande abraço.