Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

sexta-feira, dezembro 31, 2010

o e-mail do Efraim

Hoje fiquei muito feliz ao receber um e-mail de um dos meus escritores preferidos, o Efraim Medina Reyes:

Te deseo hoy y siempre lo mejor. Que pases un buen fin de año junto a
quienes aman. Un abrazo inmenso,

Efraim


PD: de regalo un poema


SIN DEJAR HUELLA
 
El destino del amor
es desvanecerse
en el contacto
el amor es el
elemento
esencial de
la fuga
Las piedras
permanecen
y el amor
huye
las piedras
se enfrían
y el amor
es un animal
de sangre
caliente
Se ama
la posibilidad
del delirio
el roce
secreto
de unos labios
y la silenciosa
promesa
de un final
Se ama
por la certeza
inminente
de la muerte
Las piedras
son inmortales
y el amor
un dulce
asesino
No quiero
ser tu dueño
nena
sólo
darte una
noche
más densa
e inolvidable
que mil vidas
no soy la
piedra de
ninguna tumba
mis manos
son ligeras
hechas
para ajustarse
a tus formas
mi alma
no sabe mentir
y mis pies
responden
siempre
al llamado
del guagancó
No soy piedra
nena
soy el
amor
que convierte
la tierra
en un cielo
de ardientes
tambores
no quiero el
mundo
nena
me basta
bailar
contigo
al ritmo
de un salvaje
blues
No pertenezco
más que a mis
deseos y mis
ansias
soy el brujo
nena
el demonio
que baila
canta
y se va
sin decir
adiós.

--
Efraim Medina Reyes (Cartagena 1967). Autor, entre otros libros, de
Érase una vez el amor pero tuve que matarlo y Técnicas de masturbación
entre Batman y Robin. Su página en facebook es:
http://www.facebook.com/pages/Efraim-Medina-Pagina-Oficial/115903968452946

4 comentários:

Luciano Fraga disse...

Buenas, muito legal mesmo a atenção dispensada pelo grande Medina,felicidades para vocês, abraço.

On The Rocks disse...

o cara é foda.

felicidades!

buenas.

Zinaldo Velame disse...

Maravilha, Nelson! Abraço!

Alvarêz Dewïzqe disse...

cara, poesia soa muito bem em espanhol. fica uma coisa vibrante, de impacto. de primeira!