Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

sexta-feira, novembro 17, 2006

Foto: Márcio Lima


um cavalo-bailarino desencravado da terra.
saga dos grifos
a cara do fogo.

faço garranchos coloridos.
as banshees.

desapercebido na fluência
das rezas
o galo celestial sobrevoa estradas que nos levam
à porta secreta dos elfos.

desembarquei numa terra desconhecida
enquanto gritavas com um cesto de rêmoras nas mãos:

bruxo é
cavalo santo,
cálido.

Nelson Magalhães Filho

4 comentários:

Lita Pássaro disse...

Vivo tb a desembarcar nas terras desconhecidas de minha memória... Vejo Luciano neste poema.
Lita Passos

Nelson Magalhães Filho disse...

Lita, este poema foi escrito para nosso querido Luciano Passos, e está em "A Cara do Fogo". Beijos.

Anônimo disse...

nelson onde é esse paraiso com essas aguas e essa pequena ponte aí está um lugar escrever ensaiar e pricipalmmente namorar e ouvi blues. um convite à poesia de antes de mim e mais ainda um convite a um mundo inexistente e por ser criado, em um lugar desses eu sou eter-na-memte criador de mundos.
ronaldo braga

Anônimo disse...

nelson onde é esse paraiso com essas aguas e essa pequena ponte aí está um lugar escrever ensaiar e pricipalmmente namorar e ouvi blues. um convite à poesia de antes de mim e mais ainda um convite a um mundo inexistente e por ser criado, em um lugar desses eu sou eter-na-memte criador de mundos.
ronaldo braga