Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

sexta-feira, dezembro 14, 2007

VOCÊ PENSA QUE ESTOU ESPERANDO A AUSÊNCIA

você pensa que estou esperando a ausência, que não chega nunca com as tarântulas acesas nem nas vísceras mais escuras que estupradas pelas brasas da noite-erma pudesse me deixar só e pouco importa. mas não é isso que me move para o mar meu bem, pouco me importa se a tesoura-vertida amolada pela minha cara de cão crava tua alma no espelho aceso dentro mar.

Nelson Magalhães Filho

11 comentários:

http://paixoeseencantos.blogs.sapo.pt disse...

HUMMM....HÁ POUCO QUANDO PASSEI POR AKI NAO VI O VIDEO PQ NAO APARECEU LOGO :) GOSTEI DO VIDEO E O POEMA ASSIM FICOU MUITO MAIS LINDO :)
BJO
E BOM FIM DE SEMANA
TE ESPERO
CARLA GRANJA

Anônimo disse...

MEU AMIGO TODOS ENTRAM NO BLOG DO MEU CUNHADO VOU-TE DEIXAR DE NOVO O LINK http://paraiso_terra.blogs.sapo.pt/
AGORA O OUTRO K TU FALAS DE AMORESESEGREDOS NÃO SEI DE QUEM É .
NEM SEI A QUEM PERTENCE . JA VISTE NOS MEUS LINKS O MEU HI5 ? TA NO FINAL E TAMBEM TÁ LINKADO O BLOG DO MEU CUNHADO EM PARAISO TERRA MAS NAO SEI PQ NAO CONSEGUES ENTRAR
BJO
CARLA GRANJA

Ruela disse...

Excelente...grande impacto.
Gostei muito da qualidade da imagem,som e poema.
Parabéns.
Um forte abraço.

Álvaro Andrade disse...

Bacana, velho.

É muito interessante misturar formatos assim. E ver o poeta lendo seu texto é outra coisa...

Abraço.

Nilson disse...

Oi, Nélson, ficou bem legal o video, valorizou o poema. Massa o teu blog. Um abração.

Felisberto Assunção disse...

Oi, tudo bem com voce a Carla Granja diz que não consegue entrar no meu blog vou deixar pra voce o meu site.
gostei do seu blog
Um abraço

http://paraiso_terra.blogs.sapo.pt

Renata Belmonte disse...

Eu AMEI o vídeo! Você fez com a máquina digital? Ficou muito bacana!
Bjs,
Renata

Nelson disse...

Obrigado pelos comentários de todos vocês.Este vídeo foi realizado com uma filmadora digital miniDV, e editado em casa no computador.Abraços.

FINA FLOR disse...

muito bom o poema, gostei, mesmo.

beijos, querido

MM.

A estranha disse...

O poema é lindo e este mar....

SANDRO ORNELLAS disse...

Massa, Nelson! Do texto lido por você mesmo até a edição dos ruídos e do vento perto do fim.