Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

quinta-feira, dezembro 18, 2008

ontem nos 131 anos da escola de belas artes

meu filho Arthur Magalhães também marcou presença



NMF, Eduardo, Jani, Jaci, Paulo Guinho, Graça, Adriano, Bené e Lico


Bené Santana, NMF, Jaci Mattos, Adriano Castro, Graça Ramos, Paulo Guinho e Eduardo Góes


Eduardo, NMF, Jaci, Graça, Paulo Guinho e Adriano


Série FERIDAS 2008

2 comentários:

Ca:mila disse...

Nelson, as tuas pinturas são belíssimas! Existe vida e morte e entremeios coloridos de sol e dor!

Parabéns!

Ruela disse...

Parabéns Nelson!


Abraço.