Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

domingo, outubro 07, 2007

EXPANDIR


Caros amigos,
Estou realizando a curadoria da mostra Expandir e gostaria de contar com a sua presença.
Um abraço,
Danillo Barata

EXPANDIR
Vídeo / Música

A proposta da mostra é reunir autores que utilizam o vídeo e a música como estratégia para potencializar um discurso, compartilhando repertórios, incorporando métodos de esgarçamento das linguagens e, sobretudo, rompendo limites de um certo ensimesmamento. Nessa perspectiva, a mostra se inscreve como um dos muitos falares que serão requisitados para compreender as demandas do presente baiano, suas desigualdades sepultadas e atenuadas pelos ritmos históricos que incluem / excluem num diálogo mais ou menos interativo, no tocante aos graves problemas sociais da nossa realidade.
Teatro do Goethe Institut
De 8 a 30 de outubro

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