Teu cheiro amarfanho durante toda a cidade
e nos dentes postos sobre a mesa
como um escapulário tua lascívia eu pressinto.
Nem a lua nem teus olhos certamente me salvarão deste teu cheiro espesso.
Eu cresci nestas estranhas paragens sem estrelas entre bichos e flores
como se não fossem cobertos pela escuridão.
Apenas arfava um golpe entre o vazio de mim
e a captura de insetos do inferno em teus cabelos.
Em inquietude, me preparo para a dor.

Nelson Magalhães Filho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos

do mundo."
( Fernando Pessoa: Tabacaria)




Realizar trabalhos de arte a base das experiências existenciais, como transpor as imensidões dolorosas das noites urinadas. Fingir figuras concebidas do desejo e da amargura. Instigações obscurecidas pela lua. Não acretido na pintura agradável. Há algum tempo meu trabalho é como um lugar em que não se pode viver. Uma pintura inóspita e ao mesmo tempo infectada de frinchas para deixar passar as forças e os ratos. Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo. Voltar a ser criança ou para um hospital psiquiátrico, tanto faz se meu estômago dói. Ainda não matem os porcos. A pintura precisa estar escarpada no ponto mais afastado desse curral sinistro.
Nelson Magalhães Filho

quarta-feira, outubro 31, 2007

Galeria Cañizares da Escola de Belas Artes da UFBA
abertura dia 01 de novembro às 19 h
visitação de 01 a 14 de novembro
das 09 às 18 h

Por que nunca mudam a história: você é/não é feliz?
Não, ele não quer o encontro, a possibilidade. Ele é todo neutro. O vazio sem azul, o vazio sem qualquer vestígio de mar.
Felicidade, deixe-o em paz.
A tempestade atravessada não se sabe quantas vezes.
Não importa.
As bacias d’água na chuva fazem pin-ploc, pinnnn-plooooc.
Ele ignora. Ele é todo outono.
Feche os olhos comigo e veja-o pleno.
1, 2, 3, 4, 5, 6... Ele está de perfil, olhos obscurecidos por uma sombra tênue que não deixa serem percebidas a íris azul-profundo, a pupila, o branco cortado por fios vermelhos, os cílios irônicos que, não se sabe exatamente por qual razão, parecem estar sempre abrindo de maneira um tanto lânguida, um tanto desafiadora – com predomínio da segunda.
Nas fotos do inverno, ele só aparece até a cintura. Agarrado num poste, olhos fechados, como que fincado no meio da rua, que, recortada neste ângulo, é mais largo ou praça. A cabeça encostada no poste, as mãos como que se segurando, camisa branca de mangas compridas aberta o suficiente no peito pra deixar ver outra, uma camiseta escura por dentro.
Tanto faz se a foto é preta e branca, ele fecha os olhos ou os fixa no chão da praça, ou rua ou largo.
Só se pode ver duas casas européias, uma escura, outra clara, no fundo de onde a imagem dele está congelada, cercadas por portões de ferro.
Ele não vende sua cidade nem a ostenta aos olhos curiosos de ninguém.
Como qualquer habitante desse continente decadente, ele detém a abertura de sua cidade com o porte impenetrável de quem nunca, apesar de mostrá-lo com orgulho, convida alguém a visitar seu país.
Quero perguntá-lo por que não há primavera nem um verão verdadeiro, só outono e inverno e minguados raios de sol no continente dele, chego perto e esqueço a estrutura que comanda a sua língua, como é que se iniciam as perguntas em sua língua, dear?
Não fosse a delicadeza do amor que nem mais encanta mas quer guardar um resto de elo dentro de nós, eu rasgaria essa imagem, cuspiria em cima, chutá-la-ia em direção ao terreno baldio que vejo lá embaixo.
Quero pronunciar alto o seu nome, na minha língua mesmo, quem sabe com erro, quem sabe com acerto, quero relembrar/descobrir seu nome e dizê-lo milhares de vezes outra vez, como quem encerra na língua uma paixão antiga, a maior.
O caminhão de lixo vai chegando na imediações do bairro primitivo – como também o é boa parte da estrutura da cidade – fazendo um barulho inacreditável, contínuo, como num ataque áereo que nunca passa de todo.
Cidades centrais são assim.
É preciso dormir de qualquer jeito. Ou abandoná-las por outras menores – nas serras frias e verdes e vastas de Minas ou nos recantos abertos, cheios de curvas e areia fina, do litoral?
Ele pegou uma garrafinha transparente e pôs barquinhos de madeira por dentro.
As velas deles foram feitas de búzios e barbante.
Não vou conseguir sobreviver – ameaçam minhas retinas.
É desnecessário repetir seu nome. Eu o recomponho sem pressa. Os torpores todos antigos. Nunca mais ser-me-á permitido amar assim o inacessível.
Que ele me fuja assim. Que ele me fuja inteiro, pois.

Állex Leilla
Postado terça-feira, Janeiro 16, 2007
Veja seu blog aqui:
CÃO DE CRUZ, um vídeo experimental












Fotografias digitais do vídeo-experimental CÃO DE CRUZ, de Nelson Magalhães Filho, com participação de Pablo e Luciana Sales.

cão e sujo
fervilha pelas ruas, hálito
acre
ao lado dos vermes.
furtiva sua beleza
no sorvedouro
consumindo-se
e passa portal de fogo
sopra a esmo
escárnio de pélago
finca escamas nas estrelas.
noite após noite
seu brilho estúpido ainda atormenta
clivagem traiçoeira,
astúcia mortal.
Nelson Magalhães Filho
Foto: Nelson Magalhães Filho

NOTURNO DO VALE DO CANELA

O corpo agitado da cidade em seu
individualismo heterogêneo sob
um crepúsculo chuvoso, o fluxo

metálico do trânsito, a idêntica
miséria dos passantes e dos pedintes,
a hora escura dentro e fora que imperativa

pendula seu peso vivo, o ângelus ao
longe, e algum demônio em sua gravidade
patética, no topo do prédio, vigia;

na luz confusa deste tempo semi-
líquido a certeza cruel – nada diz, mas
muito expressa: a vida empobrece e crispa-se

de frio, que agora sopra mais agudo
e no seu vir traz a noite completa, e
sabe, quem atravessa-a, que a casa, a mão

meiga, a ceia, o imperceptível arcanjo
que por entre a multidão passeia têm
pouca serventia de consolo ou escudo;

tão seco e terrestre nessa solidão
sem Deus, balir e balir contra o próprio
muro e ouvir a lógica desesperante

do eco ressoante pelos vazios
corredores do corpo e o seu insistir no
provisório e no acidental. E deste

viaduto sobre o vale (a chuva mais se
adensa), no parapeito resolver
seria (a treva é mais intensa) pular? O

coração com seus caminhos aéreos
nunca repousa em satisfações, e quantas
vezes queda em negativas indagações;

com o trânsito a multidão escoa, um
cão se encolhe num canto ou é uma pessoa?
Aceitar o conflito contínuo que a

vida respira mesmo quando a luz
sufocada dos postes bate nula
contra a noite, a chuva, a desesperança...

João Filho
Posted by hipergheto

CLICA AQUI:
http://hiperghetto.blogspot.com/

0 5 de novembro - 10 de dezembro
Galeria Solar Ferrão - Pelourinho

ULTRAMAR. Videoartistas Hispanoamericanos
5, 6 e 7 Novembro
Auditório do Instituto Cervantes - Salvador, Ba.
19 horas
Entrada Franca


O projeto “UltraMar Vídeo-Atistas Hispano-Americanos” se define como um workshop de vídeo arte dirigido pelo crítico de arte Manuel Garcia e difundido pelos centros do Instituto Cervantes através da obra de artistas espanhóis e hispano-americanos no que apresentamos o trabalho dos criadores que têm encontrado no vídeo a técnica audiovisual mais contemporânea na que expressar as inquietações deste milênio.
A seleção desses artistas abarca a vídeo arte realizada nos inícios do terceiro milênio (2000-06).

O Workshop se divide em três partes: breve introdução sobre as características argumentais, estéticas e técnicas das obras; a projeção dos vídeos e a entrega de textos sobre o vídeo arte contemporâneo.

O programa se desenvolve em três temáticas distintas a cada dia:

5 NOVEMBRO
Discursos de Idéias, Discursos de gêneros?

12 obras de artistas espanholas e latinas americanas que desde as perspectivas da mulher abordam temas como a dança, o ritual do matrimonio, a estética feminina, os desaparecidos, a estética masculina, os mitos religiosos, a reflexão sobre o corpo, a guerra, a atividade cênica dum transexual, o mito do “latin lover” e os sinais da ditadura argentina numa mulher.

6 NOVEMBRO
Tramas Visuais, tramas urbanas.

8 obras de artistas espanhóis e latino americanos que tem a cidade como referente onde tem protestos, marginais, locais de convivência de pessoas, músicos, historias imaginarias relacionadas com o poder, seqüências da vida noturna, solitária, animada o abatida pelo terrorismo.

7 NOVEMBRO
Narrativas Heterodoxas

12 obras de artistas espanhóis e latino americanos onde se expressam idéias, estéticas e argumentos completamente divergentes mas que respondem a poéticas artísticas contemporâneas: ensaios formais, reflexões estéticas e psicanalíticas das relações humanas, evocações do corpo e do ritmo, poéticas de ficção e reflexões de arquiteturas biográficas.

sexta-feira, outubro 26, 2007

hoje tem graça sena no show o sol tem cheiro de alice

Casa da Cultura Galeno d'Avelírio - Cruz das Almas - BA
21 horas

disco, livro e filme para esse fim de semana




ARQUIVO SUSPENSO

Rimos de tantas noites abertas em vértebras,
as luzes desafinadas ou cegas do sexo,
em algumas um jeito estranho de fazer silêncio.
Uma delas distraía cinzas com suas reservas de fogo.
Limites encobertos em suas formas abaixo do nível
de tantos anúncios e sombras. A cabeça do sol
nas mãos de teu demiurgo insondável: bem aqui,
onde passarei a vida inteira a teu lado. Guarda
a tua última palavra. Não há sacrifício comum.
Compartilha comigo apenas o sabor que trazes
de outras bocas: secreto vagido de espelhos.
Percebe o tumulto a dormir, decifra seus sonhos,
bem aqui: onde o precipício é tua única verdade.
Silêncio, meu amor, goza bem dentro do meu olhar.

poema & imagem: floriano martins
outubro de 2007

quinta-feira, outubro 25, 2007

Escola de Belas Artes

música e poesia em Feira de Santana

dia 9/11, às 21h, no restaurante "Cidade da Cultura" (Rua H, 170, conjunto João Paulo II, Feira- Bahia) com:* GRUPO DE DECLAMAÇÃO "OSBOCASDO INFERNO" com:Nívia Maria Vasconcellos e Lucifrance Castro*

GRUPO DE MÚSICA "AGADOGÔ" com:Karla Dias, Sanção e Jairo*

Canja do grupo "ARRANJOS" com:Silvério Duque e Paulo Akenaton

e muitos amigos e outros convidados....

9 de novembro (uma sexta-feira)HORÁRIO: 21h

LOCAL: Restaurante Cidade da Cultura (Rua H, 170, conjunto João Paulo II, Feira- Bahia)

JOSILTON TONM na galeria acbeu

Abertura nesta sexta-feira dia 26 de outubro
Exposição: 27 de outubro a 14 de novembro de 2007

quarta-feira, outubro 24, 2007

HOJE às 15 horas

ESCRITA LITERÁRIA E CRIAÇÃO
(BATE-PAPO COM ESCRITORES)
Lita Passos (poeta)
Gustavo Rios (contista)
Wladimir Cazé (poeta)
INSTITUTO DE LETRAS DA UFBA (LABIMAGEM)
Das 15 às 17 h

terça-feira, outubro 23, 2007


um sol escabroso fez lanho em minha cara
sempre cometemos desagravos - desnebriamento
após o jorro assaz no fundo do beco
eu poderia ser serviciado de flores
mas apenas açulei teu animal contra a presa
uma fome que não se farta, quase noutada
caso dissecasse a dor flertaria com as estrelas
que me lambem, a tua carne pálida
o teu sangue violento nas veias maceradas pelo desconçolo,
eu poderia te beijar com melindre mas a língua azougada
teus ouvidos volúveis seriam azucrinados pela música
da lua ofuscada pelas náuseas enquanto você corcoveava
no fundo do beco
guarnecida de asas sob a lua saturada
continuo vomitando esse laivo de tristeza
noite já amadurecida por tua língua deslumbrava
uma nódoa de amor que não se farta
e o tempo vai embrutecendo com desforço nosso gozo
crivo de beijos anauseados até me soverter
com a volta do sol com seus golpes de facas.
Nelson Magalhães Filho

autoretrato digital

segunda-feira, outubro 22, 2007

GRAÇA SENA & rainha de copas
no show
o sol tem cheiro de alice
Nesta sexta dia 26 de outubro às 21 h
Casa da Cultura Galeno d'Avelírio - Cruz das Almas, BA
Convidados: Geysa Coelho e Filosofia Consciente do Rap

sábado, outubro 20, 2007

sexta-feira, outubro 19, 2007

disco, livro e filme para esse fim de semana




Nelson Magalhães Filho. S/T, 1995, mista s/ tela, 185X145 cm

meus dedos tremem: está
tão turvo lá fora desta casa
que as flores amarelas do jardim são afligidas
pelo mistério (ou uma espécie de sabor secreto),
enquanto esconjuro
a última lua que volta implacável
a reinar madura em meus olhos de ulha.
e aí aventurava-me só
pela fragância morna
dos obscuros girassóis à deriva
(indesejável e fascinante a partida sem dor),
conservando na lembrança
o alento dos insones.
solitude é um fado,
e cavalos selvagens me habitam nesta noite
além das estrelas insólitas com seus destroços
arremessando moréias devassas aquém de
minha insânia.

Nelson Magalhães Filho

quinta-feira, outubro 18, 2007

I Festival de Música e Dança IBAS 24 a 27 de outubro
Passeio Público - Campo Grande
Oficinas de Capoeira, Dança e Música
Grande Show dia 27 - Pelourinho às 19 h


CURSO RÁPIDO DE ACABAMENTOS ESPECIAIS DA INDUSTRIA MOVELEIRA, DECORAÇÃO, ACABAMENTOS INTERNOS E ARTESÕES PROFISSIONAIS COM SUPORTE EM MADEIRA E OUTROS.

Turma 01 - Dia 9/11(sexta-feira), das 13:00 às 18:00h
Turma 02 - Dia 10/11 (sábado), das 08:00 às 13:00h

A Escola de Belas Artes (Eba), através do departamento ll, oferece aos alunos da UFBA, artesões profissionais e ao público em geral, o Curso de Acabamentos Especiais para a Industria Moveleira, Decorações e Acabamentos Internos de Instalações. O projeto visa a contemplar artistas da área de artesanato que necessitem de um aperfeiçoamento personalizado, com materiais de maior resistência e aplicações mais rápidas que as habituais. As aulas são oferecidas com o intuito de introduzir os alunos na arte, com perspectiva de profissionalização nas diversas criações bidimensionais e tridimensionais na criação de peças produzidas ou manufaturadas.
Trata-se de um curso rápido de técnicas especiais e de belíssimo acabamento da camada pictórica de obras realizadas com Pátina, Decapê, Laca Texturizada, Marmorizado Áqua, Craquelê e Imitação de Granito e Fórmica em suporte de madeira.
Coordenadas pela Mestra Elizabeti Actis, as turmas recebem instruções teóricas e práticas. Cada aluno recebe um livro com páginas coloridas e explicações detalhadas de cada técnica e todo o material necessário do curso. Não haverá outro pagamento ou ônus adicional ao material utilizado durante as aulas, bem como ao recebimento do livro explicativo e certificado oferecido pela FAPEX (UFBA) COMO CURSO DE EXTENSÃO DESTA UNIVERSIDADE.
Cada aluno receberá:
Placas de MDF Tintas a frio, tinta a quente (esmalte e óxido), resinas, catalisadores, solventes, lixas, pinceis, livro explicativo colorido e certificado da Fapex, não necessitando ao aluno levar qualquer material para ser utilizado durante o curso.
Maiores esclarecimentos, ligar para Veralice Mendonça, tel. 8872-9293, ou acessar www.acabamentosespeciais.queroumsite.org

Inscrições somente na sede da Fapex, ao lado da Faculdade de Arquitetura, na Federação, tel. 3183-8409.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Meu amigo MIGUEL CORDEIRO também deixou sua marca na Avenida B, East Village, NY em 1983. Como ele sempre passava nas redondezas, não pensou duas vezes.
Quer ver mais?
CLICA AQUI:
http://www.miguelcordeiroarquivos.blogger.com.br/
hoje tem XANGAI

O cantor e compositor XANGAI apresenta o show "contos e causos", a partir das 22 horas, no Tom do Sabor (Rio Vermelho).
No repertório, além das composições próprias, muitas histórias de mais de trinta anos de carreira.
Mariela Santiago continua a sua temporada no Tom do Sabor todas as quintas às 22 h.
Pintura de Lasar Segall

Informativo CUBO BRANCO recomenda
Lasar Segall
(Rio de Janeiro)
Pinakotheke traz Lasar Segall para o Rio depois de 20 anos
Depois de 20 anos, o Estado do Rio recebe uma retrospectiva do artista russo naturalizado brasileiro Lasar Segall (1891-1957), um dos mais conceituados representantes do período expressionista. Idealizada pela Pinakotheke Cultural do Rio de Janeiro, a iniciativa é uma homenagem aos 50 anos da morte do artista.
Com organização do empresário Max Perlingeiro, diretor da Pinakotheke, e curadoria da pesquisadora Vera D’Horta, do Museu Lasar Segall de São Paulo, a retrospectiva “Corpo Presente” terá 93 obras, entre pinturas, desenhos, gravuras e esculturas. Todas as peças importantes do período expressionista de Segall estarão expostas. A abertura acontece no dia 23 de outubro e o encerramento será em 21 de dezembro.
A retrospectiva é formada por 40 peças do Museu Lasar Segall de São Paulo e por diversas obras inéditas para os cariocas. A obra mais aguardada é o Retrato de Lucy de 1936, adquirido pelo governo francês dois anos depois e que integra o acervo do Centre Georges Pompidou, em Paris. Esta é a primeira vez que o quadro sai da França.
Muitas obras importantes podem ser destacadas: Floresta com reflexos de luz (1954), Kaddish (1917/1918), Cabanas com cerca (1945), dois desenhos originais do Caderno Visões de Guerra 1940-1943 e desenhos dos amigos Mário de Andrade e Tarsila do Amaral.
A exposição será acompanhada de livro com textos de Vera D’Horta, Max Perlingeiro e do empresário Celso Lafer, especialista em Lasar Segall. “Corpo Presente. A convicção figurativa na obra de Lasar Segall” apresenta a vida e a obra do artista, em textos permeados por mais de 200 imagens entre fotografias, documentos e obras. Com acabamento em capa dura, o livro tem 288 páginas, é bilíngüe português/inglê s e tem patrocínio da OI Futuro sob os auspícios da Lei Rouanet.
Como forma de complementação didática, além de visitas guiadas para estudantes e um trabalho pedagógico direcionado a professores, será disponibilizado para o público escolar um terminal de consulta multimídia e interativa, com animações, vídeos e uma vasta cronologia ricamente ilustrada. Além disso, acompanha o programa didático um caderno de arte educação criado pela pedagoga Nereide Schilaro Santa Rosa, com o intuito de orientar os professores para um melhor aproveitamento das visitas escolares.
Exposição Lasar Segall (1891-1957)


Pinakotheke Cultural do Rio de Janeiro
Rua São Clemente, 300 - Botafogo – Zona Sul
De 23 de outubro a 21 de dezembro de 2007 De segunda a sexta-feira das 10 às 19 horas e aos sábados das 11 às 18 horas Entrada gratuita
Visitação escolar: 21-2537-7566 ou professor@pinakothe ke.com.br

O CUBO BRANCO ação em arte não se responsabiliza pelas informações divulgadas em seus informativos e em sua Agenda. Estas são de total responsabilidade dos seus remetentes.Comentários, broncas, elogios, críticas e sugestões serão sempre muito bem vindos! mande sua mensagem através do e-mail
Fábio Carvalho
CUBO BRANCO ação em arte © 2002/2007

terça-feira, outubro 16, 2007

For Anjo Baldio
“Cada vez mais ermo, vou minando a mesma terra carregada de rastros e indícios ásperos dentro de mim, para que as imagens sejam vislumbradas não apenas como um invólucro remoto de tristezas, mas também como excrementos de nosso tempo”.
Nelson Magalhães Filho

Postado por Ruela em seu blog NEO-ARTES

Veja mais de suas maravilhosas imagens

CLICA AQUI:

http://neoartes.blogspot.com/

Nelson Magalhães Filho. Série 2004-2006, mista s/papel, 70X50 cm

de meus farrapentos cabelos
a serpear longos amarantos
lágrimas rotas alargam-se mariposas crepusculares.
um anjo traiçoeiro pelo asfalto cerca-me
a incompreensível ternura.
hoje de noite estou desacompanhado tão furioso,
enquanto teu amor infunde receio.
voltarei não ver o mar do corsário
e não vou chorar-antes romper o sol: beijo
que traspassa pela vagueza do
gaturamo-frugívoro, come cinzas do amanhecer.

Nelson Magalhães Filho

nesta sexta-feira
venha conhecer os artistas !

O Instituto Sacatar, uma residência para artistas em Itaparica, apresenta à comunidade baiana o seu novo grupo de artistas residentes que falará sobre seus projetos para os próximos dois meses na Bahia. Esperamos com este evento estimular a interação com a comunidade artística e cultural baiana, iniciando novas parcerias e a recíproca colaboração entre os artistas.


Erica Harris
artista norte-americana, especialista em colagem e workshops para crianças

Henrietta Mantooth
pintora e designer teatral norte-americana, que morou muitos anos no Brasil

Hung-Chih Peng
artista taiwanês de vídeo que procura documentar médiuns brasileiros

Susana Moreira Marques
escritora portuguesa pesquisando as diásporas angolanas negras e brancas

Walmor Corrêa
desenhista e escultor gaúcho, que disseca as mitologias brasileiras



Um coquetel será servido. Música ao vivo. Por gentileza pedimos que informe a sua participação pelo telefone (71) 3631-1834.

Data : Sexta-Feira, 19 de Outubro de 2007
Horário : 19 : 30 h

Endereço: Casa de Angola na Bahia
Praça dos Veteranos, 7 - Baixa dos Sapateiros
Salvador, Bahia, Brasil
imperdível: KOYOTES neste sábado

sexta-feira, outubro 12, 2007

disco, livro e filme para esse fim de semana




quinta-feira, outubro 11, 2007

HOJE
exposição de MARIA ADAIR Centro Cultural dos Correios - Pelourinho
até 18 de novembro

quarta-feira, outubro 10, 2007

Karel Appel. Heads in space, 1958, óleo s/tela.
Foto: Richard K. Weil, 1963

O BEIJO MORDIDO PELO PÓ DE LÓTUS AZUL

Naqueles dias sempre me perguntava:
por que peixes e estrelas estão sempre juntos?
Cheguei às 3 da madrugada e liguei o rádio:
"ao sentar-se junto no parque
como o céu à noite na crescente escuridão
ela o viu e ele sentiu uma faísca
tingle to his bones..."
Tinha assistido O Importante é amar
do Andrzej Zulawski,
tudo naquele interminável sonho de inverno,
nem sei se chovia pelas ruas os micróbios
e as auréolas rosas de computadores interdigitais
exterminando os miseráveis
com seus morcegos da Babilônia
já dissipando-se da Praça Senador Temístocles
convertida em labirintos de gardênias
naqueles dias cheios de esperanças
quando, sem que houvessem ressonâncias de desejos
se moendo uns aos outros,
infundíamos uma crença de sereias...
Escrevo uma história isenta de relógios
ou temporais escapados dos telhados,
fabricando orelhas com papelão de sapateiro
como minha avó fazia
sem que ninguém a visse nas imensas noites,
conservando cachos de glicínias em seus cabelos
(a fênix neste oráculo),
e sei que meu corpo é o navio medieval
na lerdeza das revelações:
- Dizei-me em que terra se encontra Taís de François Villon
ou qualquer cristal de Herzog.
Se tudo isso é bizarro?
Gritem que os olhos encravados de Lorca
viram a branca parede em que urinavam as meninas,
gritem que o carisma metálico da cidade
enforca teu riso no céu de minha rua,
esse nosso beijo mordido pelo pó de lótus azul.
Lembrei-me duns trechos assim:
"Isso não é um lamento, é um grito de ave de rapina.
Irisada e intranquila" a lágrima na face
insana de Lucienne Samôr.
Lembrei-me de outras,
eu pintava A Luta de Jacó com o Anjo
enquanto uma luz apodrecida plantava peixes
e estrelas em teu corpo.
Egon Schiele lograva em ameaçar com as pontas dos dedos
corroendo espelhos e gestos
já não depuram o mal de cada expressão.
Resvalo meu olhar nesse tempo.
Não se concederá tecer o jogo ambíguo de Kaspar Hauser
a palavra acanhada desta história
turva a frágua
manobrando artimanhas.
Existem outras coisas lembrando relatos
de encantamento, cera de abelha, um anoitecer
relicário de óleo de rícino, anáguas, manjericão
e agora eu tinjo teus cílios com jurubebas
parentes de copaíbas e milagres.

Nelson Magalhães Filho
DÃO
Dão no Tom do Sabor - Imperdível !!!
Nesta Quarta 10/10 pela primeira vez no Tom do Sabor, Dão , a grande revelação da música baiana estará mostrando como se faz black music de altíssimo nível. E na quinta Mariela Santiago continua a sua temporada no Tom, os shows do Tom começam às 22:00hs. Na quinta feira, a banda mais divertida do planeta, Os Mizeravão, se apresentam no World Bar sempre com muito rock e cerveja e na quinta também tem Borracharia, com o Dj Ruy Santana, mostrando o que é uma discotecagem de qualidade, as festas de Ruy Santana estão sendo o maior sucesso. Sábado tem rock do bom , é a vez da Banda Cascadura agitar a noite de Salvador, esta apresentação faz parte das comemorações de 15 anos da banda.
Aviso Importante: Devido ao feriadão a Festa de Sábado com o Dj Ruy Santana será transferida para quinta feira e sexta a Borracharia funciona normal.

terça-feira, outubro 09, 2007

MAM em workshops e programas na TV
Neste mês, o Museu de Arte Moderna da Bahia oferece diversas oficinas relacionadas ao conteúdo do 16º Videobrasil, além de outros cursos livres. O Festival Internacional de Arte Eletrônica ainda se estende para a telinha da TV. Confira na programação a seguir:
Cursos no Auditório do MAM-BA:

Inscrições: 08 a 11.10
Informações: 3117-6143

"O Vídeo ao Vivo – VJ" - Luciano Santana (Crazy Monkey)
O objetivo é fazer uma introdução teórica e prática ao trabalho do VJ. Serão desenvolvidos conceitos teóricos como "loop", "sample" e ambiente imersivo. Os alunos serão provocados a produzir seus próprios "loops" e a experimentar a manipulação ao vivo com softwares especializados. A partir do registro das experiências, serão estudadas possíveis estratégias de manipulação de imagens e construção de discursos ao vivo. 19, 20 e 21.10, das 9h às 13h
"Som Peba" - Pedro Marighella
O curso de pesquisa e discotecagem "Som Peba" pretende sensibilizar a pesquisa, produção e difusão da música através do domínio da tecnologia e dos aspectos criativos que implicam a produção da música eletrônica na contemporaneidade. 26, 27 e 28.10, das 9h às 13h
"A Estética do Vídeo" - Danillo Barata
O curso explora novas articulações entre arte e tecnologia, sobretudo as relações entre as criações artísticas contemporâneas no vídeo, em suas múltiplas facetas. Outros objetivos são a compreensão da linguagem tecnológica e a aquisição de conhecimentos para a plena satisfação no fazer artístico. 15, 22 e 29.10, das 9h às 13h

Cursos no Parque das Esculturas – Arcos
Inscrições: 08 a 16.10
Seleção: 17, 18 e 19.10
Início das Aulas: 22.10
Informações: 3117-6143

"Ateliê de Gravura" - Antonello L'Abatte, Renato Fonseca, Tonico Portela e Adalberto Alves
"Ateliê de Escultura em Madeira" - Zú Campus
"Processos Criativos nas Artes Visuais" - Zuarte Jr
"Performance" - Ieda Oliveira

Ação Comunitária Social - Cursos para a comunidade do Unhão
"Oficina de Presépios" - Hilda Salomão
"Desenho de Percepção" - Zélia Nascimento

Videobrasil na telinha
Para quem deseja acompanhar o Videobrasil também de casa, a TVE Bahia - canal 2 exibe uma série de programas que mostram ao espectador trabalhos premiados ao longo das 16 edições do festival e documentários sobre artistas como a norte-americana de origem cubana Coco Fusco (em "Mostra Videobrasil"), além de flashes sobre a história do evento e com a cobertura do festival no MAM ("Momento Videobrasil").
Mostra Videobrasil 6.10, à 0h10: "Itinerância Videobrasil 2006-2007 – Programa 1"
7.10, à 0h10: "Itinerância Videobrasil 2006-2007 – Programa 2"
8.10, à 0h10: "Itinerância Videobrasil 2006-2007 – Programa 3"
9.10, à 0h10: "Videobrasil Coleção de Autores – Certas Dúvidas de William Kentridge"
10.10, à 0h10: "Videobrasil Coleção de Autores – Rafael França: Obra como Testamento"
11.10, à 0h10: "Videobrasil Coleção de Autores – Mau Wal: Encontros Traduzidos"
12.10, à 0h10: "Videobrasil Coleção de Autores - Um Olhar sobre os Olhares de Akram Zaatari"
13.10, à 0h10: "Videobrasil Coleção de Autores - Coco Fusco: I Like Girls in Uniform"
Momento Videobrasil: Até 9.10

Danillo Barata
Coord. do Núcleo de Arte e Educação MAM -
Museu de Arte Moderna da Bahia
Tel: 55 71 3117-6143

segunda-feira, outubro 08, 2007

domingo, outubro 07, 2007

SINFONIA PATÉTICA A Sinfonia Patética continua em cartaz no Espaço dos Satyros 1, às quartas 22h30.
A peça é inspirada em Microfísica do Poder, de Michel Foucault, e retrata a história de um grupo de pessoas
aprisionadas por um bando de carrascos liderados por um coelho.
Quiser sacar um pouco da peça, agora temos um trailer postado no Youtube e disponibilizado em meu blog, o Boteco do Ribeiro.
O endereço do blog é http://ciadeorquestracaocenica.zip.net/
Para ir direto ao post com o vídeo, clique em
http://ciadeorquestracaocenica.zip.net/arch2007-09-16_2007-09-30.html#2007_09-26_13_58_20-117478545-0
E no blog ainda tem:
a obra de Viktor Koen / Radiohead e o lançamento do álbum In Rainbows
o festival de cinema CineEsquemaNovo / o evento Satyrianas
as peças Minha Mãe, Mancha Roxa, Diários da Sede, Ciao e Últimas Notícias de uma História Só
textos de Leonardo Boff, Fernanda D'Umbra, Jarbas Capusso Filho e Rubens da Cunha & muito mais.
CLICA AQUI: http://ciadeorquestracaocenica.zip.net/
EXPANDIR


Caros amigos,
Estou realizando a curadoria da mostra Expandir e gostaria de contar com a sua presença.
Um abraço,
Danillo Barata

EXPANDIR
Vídeo / Música

A proposta da mostra é reunir autores que utilizam o vídeo e a música como estratégia para potencializar um discurso, compartilhando repertórios, incorporando métodos de esgarçamento das linguagens e, sobretudo, rompendo limites de um certo ensimesmamento. Nessa perspectiva, a mostra se inscreve como um dos muitos falares que serão requisitados para compreender as demandas do presente baiano, suas desigualdades sepultadas e atenuadas pelos ritmos históricos que incluem / excluem num diálogo mais ou menos interativo, no tocante aos graves problemas sociais da nossa realidade.
Teatro do Goethe Institut
De 8 a 30 de outubro

sexta-feira, outubro 05, 2007

trilha sonora para este fim de semana

À véspera do inverno estranhos dias virão
nas pálpebras da noite que flor desbota.
Com a avidez do oceano à véspera do inverno
que aflora estrelas cadentes,
dormente beijo de lânguida mulher
beija-me almíscar,
uma aflição pela ampulheta da fome
um arfante desejo afunda-me no mar
e sempre deixamos rastros de sangue que se fundem,
carnes tecidas sobre a carne viciosa.
Contemplo as nuvens pelas estradas sedutoras
sob o peso de esmaecido sonhar acordado
beija-me narciso perfumado
beija-me almíscar
anjo nu cortando meu coração.
Silenciosos devaneios de um anjo decaído
a tua ausência impregnada de estonteante perfume,
em asas selvagens prazeres inflados
visitaremos a obscura melancolia da paixão,
em doce de amêndoas a lua selvagem
navega sua negra borboleta de tédio,
a ausência queimando à véspera do inverno.

Nelson Magalhães Filho

quinta-feira, outubro 04, 2007

Nelson Magalhães Filho. Série ANJOS BALDIOS, 2006, mista s/ papel craft, 120X105 cm

JARRO ATRAVÉS DAS CORTINAS DOS CABARÉS

Hoje pela manhã eu não sou mais o seu Anjo.
Nestes chuviscos de abril a tua presença
ainda é rasa, quando arroto a faca
contra as paredes deste lado
oculto, a tua presença
existindo nas criaturas que me escapam,
talvez de outro mundo, coisa de Rama-mu,
pináculos
pinturas de Goya ou lições cármicas em trânsito
nunca cumpridas
que certamente não me orientam um céu
como desligar um silêncio irreparável na sua nudez
ou um astro que sua garganta arranca na madrugada...
Capturávamos as partituras de Listz, The Cure em
Standing on a Beach para nada de novo
neste viscoso fragmento de nuvem
sobre a mesa no tempo dos luares
(onde dormem as borboletas onde Daniel joga
baralho com Clívia suspeitando
dos tufões e dos milagres luciferinos): limite
intransponível a sonolência
de embriagar-nos diante das luzes da noite,
nossas mãos se contorcendo numa obscuridade
fulminantemente vaga: desesperos
vedando a metamorfose das valquírias
neste impregnado jarro através das cortinas dos cabarés,
esperando parentes nostálgicos, considerações
a respeito da mandala, um peixe humano
uma audácia impressionante o que ocorre
nestes momentos de aves furiosas,
certamente além destes automóveis dilacerados.
E de novo hoje pela manhã estamos alcançando o limiar
do real: fluidez-emulsão
de gritos e pausas enigmáticas
(os de fora esquartejam os oceanos
através de visões clandestinas,
o auge da graça indefinida).
Preciso não mais roer vertiginosamenteos olhos de Carla
mesmo enquanto o sangue dos ladrões for alucinação
que se perde no outro lado da noite,
brotando flor madura, misteriosa...
Para que nos forjar de fadas entre os chamuscos
se esta náusea não fantasia a dor?
Não nos privaremos de razão agônica alguma...........

Nelson Magalhães Filho

quarta-feira, outubro 03, 2007

meu amigo Tarcísio Buenas ontem no TCA num show arrepiante da Madeleine Peyroux
Antônio Luiz Eloy (Cruz das Almas,1969-1994)

SUOR DA ALMA

Ó madureza de meu cerne,
és viril na astúcia,
sórdida na nobreza.
És pluma
que na brisa inflama...
És lâmina
que no ventre despedaça.
Dizei então abutres de alma morta,
que até a solidão arrebatais,
aonde porventura levareis
este ente de minhas entranhas?
Oxalá que o negro orvalho
da alvorada cinzenta
o fel em gotas alimente
os embriões vorazes de crueza.
Eclode então férreo carvalho!
De minha rocha mais escarpante,
com teu lenhoso seio
e tuas raízes
soberbas e caninas
que afagam minha alma
em palores inefáveis!
Ah! mas de tua copa
transluzem-me
somente as negras trevas...
Mas são apenas
calos de séculos,
calos de séculos.

Luizinho-28-08-92